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Preparemo-nos bem para a hora da Morte e do Juízo,
a fim de escaparmos ao Inferno e ganharmos o Paraíso!


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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Aparição Mariana de 13 de Agosto
adiada para 19 de Agosto...
* Cinco Primeiros Sábados



Caso queira ver melhor, ou imprimir, esta imagem - ORATÓRIO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - poderá ampliá-la com o rato. Imagem dos Arautos do Evangelho, cedida por especial deferência... + Doce Coração de Maria, sede a nossa salvação!



* * * * * * *


A 13 de Agosto de 1917, os três Pastorinhos de Fátima foram impedidos, pelas autoridades civis anticlericais, de irem ao combinado encontro com Nossa Senhora, na Cova da Iria, onde já estava reunida uma enorme multidão.

As crianças videntes, durante os dias 13 e 14 de Agosto, foram fechadas e ameaçadas com torturas, em Vila Nova de Ourém, após terem sido 'raptadas' pelo respectivo Administrador, para que desmentissem as Aparições Marianas; mas, heroicamente, elas não cederam.
Estavam prontas a oferecerem as suas vidas, se necessário fosse, a fim de não traírem as mensagens e promessas feitas por Nossa Senhora.
Só então foram libertadas...

Se Deus quisesse, teria feito um 'milagre' para que os Pastorinhos não faltassem à Aparição no dia e hora combinados pela Celeste
Mensageira: Seis dias treze seguidos, entre Maio e Outubro de 1917, e portanto também em 13 de Agosto.


* Capelinha dos Valinhos (Aljustrel-Fátima), onde Nossa Senhora apareceu aos Pastorinhos, a 19 de Agosto de 1917... Mas Deus não achou necessário, nem oportuno, intervir directa e espectacularmente -- embora o faça muitas vezes discretamente, por caminhos espirituais misteriosos, geralmente imperceptíveis aos nossos pobres sentidos corporais --, pois Ele, além de normalmente respeitar o livre-arbítrio humano, por mais maléfico e execrável que seja, geralmente acaba por tirar, mais tarde ou mais cedo, já neste mundo ou na Eternidade, mais bem do que mal de todos os erros e maldades humanos, acabando sempre por punir exemplarmente os ímpios e pecadores obstinados, pois a Sua infinita e perfeita Justiça nunca falha, ainda que seja desconhecida e insondável para nós, míseras criaturas, ao ponto de até, por vezes, nos parecer inexistente ou arbitrária, sobretudo em relação às almas de pouca ou nenhuma Fé Cristã...


* * * * *


Contudo, termino esta breve explicitação, relativa a tão insólito acontecimento de 13 de Agosto, com um dos mais significativos e alarmantes pedidos, feito por Nossa Senhora, a 19 de Agosto de 1917, nos Valinhos [quando finalmente Ela decidiu realizar a única Aparição protelada, por desígnios divinos, assim como Deus vai adiando ou encurtando a nossa vida terrena, a fim de tentar evitar ao máximo a nossa perdição eterna]:


«Rezai, rezai muito

e fazei sacrifícios pelos pecadores,

que vão muitas almas para o Inferno,

por não haver quem se sacrifique

e reze por elas!»



* * * * *



E isto, obviamente,

para além do insistente

pedido da

REZA DIÁRIA DO

TERÇO DO ROSÁRIO,


a Devoção mariana

por excelência,

predilecta e perpétua.


* * * * *


DEVOÇÃO MARIANA DOS

CINCO PRIMEIROS SÁBADOS


Na Aparição do dia 13 de Julho de 1917, anunciou Nossa Senhora:
“Para impedir a guerra, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, e [também] a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados”.

Esta última devoção veio pedi-la, aparecendo à Irmã Lúcia a 10-12-1925, em Pontevedra, Espanha. E disse-lhe, então:
“Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos me cravam, com blasfémias e ingratidões.
Tu, ao menos, procura consolar-me, e anuncia que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias à salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 Mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar”.

Nossa Senhora mostrou o seu Coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados.
Pediu que fizéssemos actos de desagravo, por tais blasfémias e ingratidões, com a devoção reparadora dos Cinco Primeiros Sábados.
Em recompensa, promete-nos
"todas as graças necessárias para a Salvação”.

Jesus, nos dois anos seguintes, em 15 de Fevereiro de 1926 e em 17 de Dezembro de 1927, insiste para que se propague esta devoção mariana.
Lúcia escreveu:
“Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra e a paz do mundo”.


As condições, para ganhar o privilégio dos Primeiros Sábados, são quatro:

1. Confissão sacramental.
Para cada primeiro Sábado, é precisa uma Confissão, bem feita e como reparação mariana.
Pode fazer-se em qualquer dia, antes ou depois do primeiro Sábado, contanto que se receba a Comunhão em estado de Graça.

A vidente perguntou: – “Meu Jesus, as (pessoas) que se esquecerem de formar essa intenção (reparadora)?
Jesus respondeu: – Podem formá-la na Confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar”.

As outras três condições devem cumprir-se no primeiro Sábado do mês, a não ser que algum sacerdote, por justificados motivos, conceda que se possam fazer no Domingo seguinte.

2. Comunhão reparadora.

3. Terço do Rosário.

4. Meditação durante 15 minutos - de um só Mistério do Rosário, de vários ou de todos.
Também vale uma meditação, individual ou colectiva, de cerca de 3 minutos, antes de cada um dos cinco Mistérios do Terço que se está a rezar.

Em todas estas quatro práticas, deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.

A devoção dos Cinco Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria, a 13-9-1939, em Fátima.


# Para mais informações da Devoção

"Cinco Primeiros Sábados"

clique aqui, por favor...




* * * * * * *



# Santuário de Fátima

# 1.ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima
#
2.ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima
#
3.ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima


Nova
Evangelização Católica

quinta-feira, 22 de julho de 2010

REVELAÇÕES DO INFERNO ETERNO
por Santo Anselmo - Doutor da Igreja


Imagem de grande ampliação


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Revelações do Inferno


por Santo Anselmo
*



1. Eles jazem nas "trevas exteriores"...
Pois, lembrai-vos, o fogo do Inferno não emite nenhuma luz.
Assim como, ao comando de Deus, o fogo da fornalha babilónica perdeu o seu calor, mas não perdeu a sua luz, contrariamente, sob o comando de Deus, o fogo do Inferno, conquanto retenha a intensidade do seu calor, arde eternamente nas trevas.

2. É uma tempestade que nunca mais acaba, de trevas, de negras chamas e de negra fumaça de enxofre a arder, por entre as quais os corpos estão amontoados uns sobre os outros, sem uma nesga de ar.
De todas as pragas com que a terra dos faraós foi flagelada, uma praga só, a das trevas, foi chamada de horrível.
Qual o nome, então, que devemos dar às trevas do Inferno, que hão-de durar, não por três dias apenas, mas por toda a eternidade?

3. O horror desta estreita e negra prisão é aumentado pelo seu tremendo cheiro nauseabundo.
Toda a imundície do mundo, todos os monturos e escórias do mundo, segundo está escrito, correrão para lá, como para um vasto e fumegante esgoto, quando a terrível conflagração do último dia houver purgado o mundo.

Também o enxofre, que arde lá em tão misteriosa quantidade, enche todo o Inferno com seu intolerável fedor.
E os corpos dos próprios danados exalam um cheiro tão pestilento que, como diz S. Boaventura, só um deles bastaria para infectar todo o mundo.

4. Até o ar deste mundo, esse elemento vital e puro, torna-se fétido e irrespirável quando fica fechado longo tempo.
Considerai, então, quanto deve ser irrespirável e fétido o ar do Inferno.
Imaginai num cadáver fétido e pútrido, que tenha jazido a decompor-se e a apodrecer na sepultura, uma matéria gosmosa de corrupção líquida.

Imaginai um tal cadáver preso das chamas, devorado pelo fogo de enxofre a arder e a emitir densos e horrendos fumos de nauseante e repugnante decomposição.
E de seguida, imaginai esse cheiro nauseabundo multiplicado um milhão de vezes, por milhões de fétidas carcaças comprimidas na treva fumarenta, numa enorme fogueira de podridão humana.
Imaginai tudo isso, e tereis uma pálida ideia do horror fétido do Inferno.

5. Mas tal fetidez extrema não é, terrível pensamento este, o maior tormento físico a que os danados estão sujeitos.
O tormento do fogo é o maior suplício a que o Demónio sempre tem sujeitado as suas vítimas.
Colocai o vosso dedo, por um só momento, na chama duma vela, e logo sentireis a dor do fogo.

Mas o fogo terreno foi criado por Deus para benefício do homem, para manter nele a centelha da vida e para ajudá-lo nas suas necessidades, ao passo que o fogo do Inferno é duma outra natureza e foi criado para atormentar e punir o pecador sem arrependimento.

6. O fogo terrestre, outrossim, consome-se mais ou menos rapidamente, conforme o objecto que ele ataca for mais ou menos combustível, ao ponto da inteligência humana ter sempre procurado inventar soluções para garantir ou frustrar a sua duração.
Mas o sulfuroso breu que arde no Inferno é uma substância que foi especialmente criada para arder contínua e perpetuamente com indizível fúria.

Além disso, o fogo terrestre destrói e consome-se ao mesmo tempo que arde, de maneira que quanto mais intenso ele for, mais curta será a sua duração; enquanto que o fogo do Inferno tem a propriedade de preservar aquilo que ele queima, e embora ataque com incrível violênca, ele permanece para sempre.

7. E ainda, o nosso fogo terreno, não importando que intensidade ou tamanho possa ter, é sempre duma extensão limitada; mas o mar de fogo do Inferno é ilimitado, sem praias nem fundo.
Está documentado que o próprio Demónio, ao ser-lhe feita a pergunta por um soldado, foi obrigado a confessar que, se uma montanha inteira fosse jogada dentro do oceano ardente do Inferno, seria queimada num instante como um pedaço de cera.

E esse terrível fogo não aflige os condenados somente por fora, pois cada alma perdida transforma-se num Inferno dentro de si mesma, com o fogo sem limites enraivecendo-se na sua essência.
Oh, quão terrível é a sorte desses desgraçados seres!
O sangue ferve e referve nas veias; o cérebro fica fervendo no crânio; o coração, no peito flamejando e ardendo; os intestinos, uma massa vermelha e quente de polpa a arder; os olhos, tão sensíveis, flamejando como bolas fundidas.

8. Ainda assim, quanto vos falei da força, da qualidade e da imensidão desse fogo, é como se fosse nada, quando comparado com a sua intensidade, uma intensidade que é justamente tida como sendo o instrumento escolhido pela Justiça Divina para punição da alma, assim como igualmente do corpo.

Trata-se dum fogo que procede directamente da Ira de Deus, agindo assim não pela sua própria constituição, mas como instrumento do castigo divino.
Assim como a água do Baptismo limpa espiritualmente tanto a alma como o corpo, assim o fogo do Inferno tortura simultaneamente o espírito e a carne.

9. Todos as faculdades da alma são torturadas; e todos os sentidos do corpo outro tanto: os olhos com impenetráveis trevas; o nariz com fétidos nauseantes; os ouvidos com berros, uivos e execrações; o paladar com matéria sórdida, corrupção leprosa, sujeiras sufocantes inomináveis; o tacto com aguilhões e chuços em brasa e cruéis línguas de chamas.

E através dos vários tormentos dos sentidos, a alma imortal é torturada eternamente, na sua própria essência, no meio de léguas e léguas de ardentes fogos acesos nos abismos pela Majestade de Deus infinitamente ofendida, e soprados numa perene e sempre violenta fúria pela Ira da Omnipotência Divina.

10. Considerai, finalmente, que o tormento dessa prisão infernal é acrescido pela companhia nefasta dos próprios condenados.
A má companhia, sobre a Terra, é tão prejudicial às pessoas, que até os próprios animais, por instinto, fogem da companhia do que lhes seja mortal ou nocivo.

No Inferno, porém, todas as leis estão trocadas, pois lá não há nenhum pensamento de família, de pátria, de laços, de amizade.
Os condenados odeiam e gritam uns aos outros a sua raiva e tortura, que são intensificadas pela sua presença, enfurecendo-se mutuamente.

11. Todo o senso de humanidade é esquecido ou negado.
Os gritos dos réprobos em desespero enchem os mais recuados cantos do vastíssimo abismo.
As mentes e as bocas dos condenados estão cheias de blasfémias contra Deus, de ódio pelos seus companheiros de suplício, e de maldições contra as almas que foram suas cúmplices nos pecados.

Nos tempos antigos, era costume punir o parricida, o homem que erguera a sua mão assassina contra o pai, arremessando-o nas profundezas do mar dentro dum saco, no qual também eram colocados um galo, um burro e uma serpente.

12. A intenção dos inventores dessa lei, que parece muito cruel nos nossos tempos, era punir tal género de homicídio também pela presença e acção de animais violentos e venenosos.

Mas o que é a violência ou fúria desses animais estúpidos, comparada com a fúria da execração que rompe dos lábios tostados e das gargantas inflamadas dos danados no Inferno, quando eles contemplam nos seus companheiros de desgraça aqueles mesmos que os levaram ou incitaram ao pecado, aqueles cujas palavras criaram as primeiras sementes do mal nos seus espíritos, aqueles cujas atitudes insensatas conduziram-nos ao delito, aqueles cujos olhos os tentaram e desviaram do caminho da virtude?

Só podem voltar-se contra esses seus cúmplices do pecado, insultando-os e amaldiçoando-os.
Não terão, contudo, nenhum socorro nem ajuda, visto que já é demasiado tarde para o arrependimento (que eles mesmos abominam).


13.
Finalmente, considerai o terrível tormento daquelas almas condenadas, as que tentaram e as que foram tentadas, agora todas juntas e, ainda por cima, na companhia dos demónios.
Esses demónios afligirão os réprobos de duas maneiras: com as suas horríveis presenças e com as suas odiosas acusações.

Não podemos ter uma ideia de quão horríveis são esses demónios.
Uma vez, Santa Catarina de Sena viu um demónio, tendo escrito que preferia caminhar por cima de carvões em brasa, até ao fim da sua vida, a ter que olhar de novo, por um só instante, para tão horroroso monstro.

14. Tais demónios, que originariamente foram belíssimos anjos, tornaram-se tão feios e repugnantes quanto antes tinham de formosos e atraentes.
Eles escarnecem e riem com desprezo das almas perdidas que arrastaram para a ruína.
E é pelos diabos que são feitas, no Inferno, as vozes de acusação dos condenados:

Por que pecaste? Por que deste ouvidos às tentações dos amigos?
Por que abandonaste as tuas práticas piedosas e as tuas boas acções? Por que não evitaste as ocasiões de pecado? Por que não deixaste aquele mau companheiro?
Por que não desististe daquele mau hábito, daquele hábito impuro?

Por que não ouviste os conselhos do teu confessor?
Por que, mesmo depois de haveres tombado a primeira, ou a segunda, ou a terceira, ou a quarta, ou a centésima vez, não te arrependeste dos teus maus passos e não voltaste para Deus, que esperava apenas pelo teu arrependimento para te absolver dos teus pecados?

Agora, o tempo para o arrependimento já passou.
O tempo no mundo ainda existe, mas tempo na eternidade não existe mais.

15. Tempo houve para pecar às escondidas, para satisfazer a preguiça e o orgulho, para cobiçar o ilícito, para ceder às tentações e aos maus instintos, para viver como as bestas do campo, ou antes, pior do que as bestas, porque elas apenas são irracionais, não possuindo uma razão que as guie.
Tempo houve no mundo, mas tempo no Inferno não existe mais.

Deus falou-te por intermédio de tantas vozes, mas não quiseste ouvi-las.
Não quiseste esmagar esse orgulho e esse ódio do teu coração, não quiseste devolver aqueles bens mal adquiridas, não quiseste obedecer aos preceitos da tua Santa Igreja, nem cumprir os teus deveres religiosos, não quiseste abandonar aqueles péssimos companheiros, não quiseste evitar aquelas perigosas tentações.

Tal é a linguagem desses atormentadores diabólicos, com palavras de sarcasmo e de reprovação, de ódio e aversão.
De aversão, também sim, pois os próprios demónios, quando pecaram como anjos, fizeram-no por meio dum pecado incompatível com a natureza de tão angélicas criaturas: o da rebelião do seu intelecto (pela infidelidade contra Deus).

Por tudo isso, estes mesmos demónios infernais só podem desprezar e odiar os réprobos, revoltados com o nojo e a aversão de terem de contemplar semelhantes pecados também nos homens ímpios, que desse modo ultrajaram a Deus e profanaram o templo do Espírito Santo, aviltando-se e degradando-se a si mesmos.





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* Santo Anselmo (1033-1109)
Bispo de Cantuária e Doutor da Igreja


Fonte: Igreja Online


# ATENÇÃO:
Leia ainda, no verso, o texto relacionado:
O INFERNO, MESMO EM CASO DE DÚVIDA,
DEVE SER LEVADO MUITO A SÉRIO



Adaptação:
NOVÍSSIMOS DO
HOMEM

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O DEMÓNIO EXISTE ABSOLUTAMENTE




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O DEMÓNIO EXISTE

E AGE MALIGNAMENTE




O que diz a Igreja sobre a existência de Satanás?
A julgar pela atitude da 'mídia' e de certas correntes filosóficas e teológicas contemporâneas, "também o Diabo está (ou parece) morto".
Contudo, não é esta a posição do Papa Paulo VI, ou João Paulo II, do Catecismo da Igreja Católica.
Se não, vejamos:

O último pedido do Pai-Nosso - "Mas livrai-nos do mal" - faz parte da Oração sacerdotal de Jesus (Jo 17, 15):
«Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno".
O Catecismo da Igreja Católica (n.º 2850) diz que o "nós" do Pai-Nosso lembra a solidariedade, antes mais para o bem do que para o mal, existente entre os filhos do mesmo Pai.

O Papa Paulo VI, na audiência pública de 15 de Novembro de 1972, esclarece sobre "sinais" da presença da acção diabólica.
Embora às vezes pareçam tornar-se evidentes, é necessário ter muito cuidado no discernimento.
Acrescenta Paulo VI:
«Podemos admitir a sua acção sinistra onde a negação de Deus se torna radical, subtil ou absurda; onde o engano se revela hipócrita, contra a evidência da verdade; onde o amor é anulado por um egoísmo frio e cruel; onde o nome de Cristo é tratado com ódio consciente e rebelde; onde o espírito do Evangelho é falsificado e desmentido; onde o desespero se manifesta como a última palavra, etc...»


A afirmação da existência dos espíritos decaídos - Demónio, Satanás - só tem sentido num contexto mais amplo.
A presença de anjos e demónios jamais será aceita à margem da Fé cristã.
A oposição a essa crença tradicional da Igreja surge, como certos tipos da História das Religiões, dentro dum ambiente racionalista e iluminista.
A argumentação daí resultante é alimentada pelas doutrinas propagadas por povos vizinhos dos judeus.
Os relatos do Antigo Testamento, segundo eles, não trazem uma revelação, mas simplesmente reproduzem mitos das culturas pagãs.

Nessa linha de pensamento, o conhecido exegeta protestante, Rudolf Bultmann na sua obra "Kerygma e Mythos", sentencia:
"Já não é possível usar luz eléctrica e rádio (...), e ao mesmo tempo acreditar no mundo do espírito e dos milagres do Novo Testamento".
É interessante observar que são exactamente teólogos e pensadores protestantes de renome, como Karl Barth, que têm outra posição "por causa da tradição bíblica e por causa do seu valor na piedade do povo cristão", pelo que o tema dos Anjos não pode ser preterido pela teologia.
Contudo, isso não impede que alguns teólogos católicos continuem numa profunda reticência (a tal respeito), talvez temerosos de serem taxados de "tradicionalistas", caso tratem, dentro da nossa crença, o tema dos Anjos e Demónios.


Ao falar de Satanás, é importante evitar dois erros:
- O de absolutizar o Maligno, como se fosse uma terrível ameaça, a cada momento, para cada pessoa, mesmo sendo recta, verdadeira, humilde e fiel.
O Demónio pode influenciar através das faculdades mentais e das tendências naturais.
Ele, contudo, não tem poder sobre o íntimo da pessoa, pois a sua liberdade, a sua consciência, pertencem directamente a Deus.
Uma pessoa generosa, que procura guardar rectidão e pureza no seu modo de agir, e mesmo a criança que reza com amor e confiança, é mais forte do que Satanás.
- Por outro lado, há o erro do racionalismo, através do pressuposto, ou princípio, de não existir aquilo que não podemos ver e experimentar com os nossos sentidos.
No mesmo caso, ou princípio, está o Demónio, como tantos outros.

O Novo Testamento fala frequentemente no Diabo, ou Satanás, e em demónios.
E mostra o seu lugar na História da Salvação, tanto no evento central da Vida de Jesus Cristo, como na História da Igreja.
O anjo decaído não pode ver Deus em Jesus; só podendo constatar, com pavor e horror, que este "Profeta", superior a todos os outros, é um perigo definitivo para as suas maquinações infernais.
Jesus é apresentado como Aquele que venceu Satanás.
O Maligno, embora derrotado, consegue ainda atrapalhar e seduzir.


O Novo Testamento não manifesta nenhum interesse especulativo em descrever dramaticamente o universo dos demónios, como o faziam certos livros apócrifos.
Não existe uma demonologia propriamente dita.
O Novo Testamento tem, entretanto, um forte interesse em demonstrar que Satanás e os seus espíritos subalternos se apresentam no mundo como adversários da Salvação de Jesus e dos Seus fiéis.
O seu nome é: "Diabo e Satanás" (Mt 4,1); "inimigo e tentador", "Maligno" (Mt 13,19; Ef 6,16); "príncipe do mundo" (Jo 12,31); "acusador", "pai da mentira" (Ap 12,10); "besta", "serpente" (Ap 12), "chefe dos demónios" (Mc 3,22); e assim por diante.

Jesus Cristo não é um exorcista, mas o revelador do Reino de Deus e do Seu Poder, como sendo Ele a Imagem do Pai e o próprio Deus.
A luta contra Satanás e a vitória definitiva sobre ele, é a parte constitutiva desse anúncio e revelação demoníacos.
Cristo, Ele mesmo, interpreta a sua presença assim:
«O príncipe deste mundo está sendo jogado fora» (Jo 12, 31).
É claro que nesses acontecimentos estranhos também existem, por vezes, elementos de doença física ou psíquica.


O Magistério da Igreja sempre procurou manter um equilíbrio entre a tendência de absolutizar o Maligno, e a de, como actualmente, considerá-lo insignificante.
O Concílio Vaticano II não tratou o assunto de modo explícito; somente citou-o de passagem, dizendo que em Cristo "Deus nos reconciliou Consigo e entre nós, arrancando-nos da servidão do Diabo e do pecado" ('Gaudium et Spes' 22.3; 2.2); e "o Maligno continua a tentar-nos" ('Lumen Gentium' 16; 48,4; 'Ad Gentes' 9).

Importa observar que os demónios não são apenas um poder anónimo, impessoal. Mas são espíritos criados, personalizados.
Por isso, e só por isso, o Concílio pode dizer deles:
"Segundo a sua natureza, foram criados por Deus como bons, mas que por si mesmos se tornaram maus".

Na doutrina sobre o Demónio, a Igreja sublinha, de um lado, a infinita Bondade de Deus Criador; e de outro lado, mostra a grandeza da liberdade da criatura que, sendo feita à imagem de Deus, é exactamente por esse motivo submetida a provas e tentações.
É insistente a palavra de Jesus a todos nós:
«Vigiai, porque não conheceis nem o dia, nem a hora" (Mt 25, 13; 13, 35. 37).

Finalmente, devem erradicar-se os dois comportamentos erróneos e extremos:
Aquele que reduz o Diabo a um mero símbolo ou mito (sendo esta atitude sem dúvida a mais grave), e aquele outro que o vê em toda parte, exagerando supersticiosamente a sua influência maligna.






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Fontes:

- Vocacionados Menores

- Comunidade Católica Beatitudes do Coração de Jesus


Adaptação:
Nova Evangelização Católica

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CONTRIÇÃO PERFEITA
* A Chave do Céu !




* * * * *



CONTRIÇÃO PERFEITA


A CHAVE PARA

ENTRAR NO CÉU



O que é a

Contrição Perfeita?




Contrição:

É a dor de alma pelo desgosto e rejeição dos pecados cometidos.
Deve acompanhá-la o bom propósito; isto é, uma firme vontade de emenda de vida para não voltar a pecar.

Para que a Contrição seja legítima, deve ser interna, ao nível da alma; isto é, não pode ser uma simples expressão feita com os lábios e sem reflexão, pois isto seria apenas mera contrição de boca.

Não é necessário manifestar exteriormente a Contrição interna por meio de suspiros, de lágrimas, etc.; pois tudo isto pode ser sinal de contrição, mas não é, porém, a sua essência.

A essência da contrição está na alma, na sincera vontade de afastar-se deveras do pecado, convertendo-se para Deus.

Além disso, a Contrição deve ser geral.
Isto significa que deve estender-se a todos os pecados cometidos, ou pelo menos, a todos os pecados mortais.
Finalmente, deve ser sobrenatural, e não meramente natural, pois esta nada aproveita.


Segue-se que a Contrição, como todo o bem espiritual, deve proceder de Deus e da Sua Graça; e com a Graça de Deus, desenvolver-se na alma.
Porém, não tenhamos receio; bastando que peçamos a Contrição de boa vontade e que nos arrependamos sincera e espiritualmente, pelo que Deus conceder-nos-á então as graças necessárias.

Se o motivo da Contrição se fundamentar na natureza ou somente na razão (por exemplo, nos danos temporais, na vergonha, na doença, etc.), é muito provável que a dor dos pecados seja simplesmente natural e sem mérito.

Todavia, se o motivo da Contrição é alguma Verdade da Fé (por exemplo: Deus, o Céu, o Purgatório, o Inferno, etc.), então a Contrição será legítima e sobrenatural.
A Contrição legítima e sobrenatural pode ser, por sua vez, de duas classes: perfeita e imperfeita.

E assim, chegámos ao tema principal da...




CONTRIÇÃO PERFEITA


Em poucas palavras, a Contrição Perfeita é a Contrição que procede do Amor a Deus; e a Contrição imperfeita, é a que procede do Temor de Deus.

É Contrição Perfeita quando procede de Amor perfeito a Deus.
E o nosso amor a Deus é perfeito quando O amamos porque Ele é, em Si mesmo, infinitamente Perfeito e Bom (amor de benevolência), e porque Ele nos mostrou o Seu Amor duma maneira tão admirável (amor de agradecimento).

E é um amor imperfeito a Deus o quando O amamos porque esperamos alguma coisa d'Ele (por algum motivo calculista ou interesseiro).
De tal modo que, com o amor imperfeito, pensamos sobretudo nos dons (a receber); e com o amor perfeito, pensamos sobretudo na Bondade do Dador.

Com o amor imperfeito, amamos mais os dons, e com o amor perfeito amamos mais o Dador, e isto não tanto pelos Seus dons, mas principalmente pelo Amor e Bondade que nos Seus dons se manifestam.


Do Amor nasce a Contrição.
Portanto, a Contrição será perfeita se nos arrependermos dos nossos pecados por amor perfeito de Deus, quer este seja de benevolência, quer seja de agradecimento.

Será Contrição imperfeita se nos arrependermos dos pecados apenas ou mormente pelo Temor de Deus, uma vez que pelo pecado perdemos a recompensa de Deus, o Céu, e merecemos o seu castigo, o Inferno ou o Purgatório.

Na Contrição imperfeita, fixamo-nos principalmente em nós e nas desgraças que, segundo a Fé nos ensina, nos acarretou o pecado.

Na Contrição perfeita, fixamo-nos sobretudo em Deus, na Sua Grandeza e Formosura, no Seu Amor e Bondade, vendo quanto o pecado O ofende, e que foi o pecado que Lhe causou tantos sofrimentos e dores para nos redimir.
Na Contrição perfeita, não queremos unicamente o nosso bem, senão também e sobretudo o Bem de Deus.


Com um exemplo envangélico, comprenderemos melhor tal realidade:

Quando São Pedro negou o Divino Salvador, foi para fora e “chorou amargamente”
(1 Lc 22, 62).
Por que é que chora S. Pedro?
É, porventura,
por pensar na vergonha que vai sentir diante dos outros Apóstolos?
Se assim fosse, a sua dor teria sido puramente natural e sem mérito.

É por que receia que o Seu Divino Mestre lhe tire, como merece, o cargo de Apóstolo Principal, expulsando-o do Seu Reino?
Essa seria uma boa contrição, embora somente imperfeita.

Mas não; Pedro arrepende-se e chora, antes de tudo, porque ofendeu o Seu amado Mestre, tão Bom, tão Santo, tão Digno de ser amado, e por ter sido tão ingrato ao Seu imenso Amor por ele.
S. Pedro teve, pois, uma
verdadeira e perfeita Contrição.





Agora diz-me:
Tens tu também, Cristão da minha alma, algum fundamento, algum motivo, parecido com o de S. Pedro,
para te arrependeres dos teus pecados por amor, por amor perfeito e agradecido?
Sim, certamente, pois os benefícios que Deus te tem feito são mais que os cabelos da tua cabeça, e considerando-os, podes dizer, em cada um deles, o que dizia S. João:
“Amemos a Deus, já que Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4, 19).

E como Deus nos amou?
“Com Amor eterno te amei disse Ele e me compadeci de ti e te atraí a Mim” (Jer 31, 3).

Sim, com Amor eterno Ele te amou.
Desde toda a Eternidade, desde quando ainda não havia nem um átomo de ti sobre a Terra, te olhou com aqueles Seus Olhos amorosos e que tudo penetram, e te preparou alma e corpo, Céu e Terra, com o amor com que uma mãe prepara todo o necessário para o filhinho que ainda não nasceu.

Ele deu-te a saúde e a vida, Ele deu-te e dá-te, em cada dia, todos os bens naturais; consideração esta que até aos pagãos pode fazê-los chegar ao conhecimento e Amor perfeito de Deus; quanto mais a ti, Cristão, que conheces outro género muito diferente de amor e de bondade, o Amor e Bondade sobrenaturais de Deus para contigo.


Porque Deus compadeceu-se de ti; e quando, com todo o género humano, estavas condenado pela culpa original, Deus enviou o Seu Unigénito Filho, e Ele se fez teu Salvador e te redimiu com o Seu preciosíssimo Sangue, morrendo na Cruz.

E em ti pensava com entranhável Amor, quando agonizava no Horto das Oliveiras, e quando derramava o Seu Sangue com os açoites e os espinhos, e quando subia, arrastando a pesada Cruz, pelo longo e áspero caminho do Calvário; e quando, cravado nela, Se desfez em Sangue, entre indizíveis tormentos.
Em ti pensava com entranhável Amor, como se tu foras o único homem da Terra.

Que tens a concluir, daqui?
“Amemos a Deus, já que Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4, 19).

E Deus te atraiu a Ele pelo Baptismo, Graça capital e primeira da tua vida, e pela Igreja, em cujo seio foste então admitido.
Quantos há que, só à força de trabalhos e canseiras, conseguem encontrar a verdadeira Fé, e a ti ta ofereceu Deus desde o berço, por puro Amor.

Atraiu-te a Ele e atrai-te sempre pelos Sacramentos e pelas inumeráveis graças interiores e exteriores com que te enche todos os dias, pois, em verdade, estás a nadar, como num imenso mar, na Bondade e Amor de Deus.
E este Amor quer ainda coroar-te, colocando-te consigo no Céu e fazendo-te eternamente feliz.


O que Lhe deves, por tanto Amor?
Não é verdade que deves corresponder-Lhe (em tudo aquilo que estiver ao teu alcance)?
Amemos também a Deus, já que Ele nos amou primeiro.

Pois, vamos a contas, e diz-me:
Como tens pago a Deus, tão Bom e Amoroso, o Seu Amor e Bondade para contigo?
Dir-me-ás, sem dúvida, que com ingratidão e pecados.
E pesa-te essa ingratidão?
Sem dúvida que sim, e queres ressarcir a tua pesada ingratidão, amando quanto possas tão grande e amoroso Benfeitor.

Pois, olha, se assim é, já tens Contrição perfeita, Contrição de amor a Deus.
Para facilitar, chama-se a esta Contrição de amor de Deus, Contrição de Amor
, ou de Caridade.

Na mesma Contrição de Caridade, há uma mais elevada, que é quando alguém ama a Deus porque Ele é, em Si mesmo, infinitamente Formoso, Glorioso, Perfeito e Digno de Amor, prescindindo do Seu Amor e Misericórdia para connosco.


Há estrelas e com esta comparação julgo que entenderás melhor que, por estarem muito longe de nós, não as podemos distinguir, e contudo, são tão grandes e formosas como o Sol, que tão diligentemente nos dá o calor e a vida.

Pois também, ainda quando o homem não tinha visto nem gozado nunca do Amor de Deus, Eterna Estrela do Céu, ainda quando Deus não tinha criado o Mundo, nem criatura alguma, mesmo assim, Ele era igualmente Grande, Formoso, Glorioso e Digno de todo o Amor, porque Ele é, em Si mesmo e por Si mesmo, o Bem mais Excelente, mais Perfeito e Digno de pleno Amor.

Isso mesmo, e não outra coisa, quer dizer essa expressão que, talvez várias vezes, terás encontrado nos devocionários e nas fórmulas do Acto de Contrição, e que provavelmente ter-te-á parecido um tanto obscura.

Detém-te, pois, agora, e contempla o imenso Amor de Deus.
Contempla-o, sobretudo, nos amargos sofrimentos do Salvador, a cuja luz O compreenderás tão facilmente, quão facilmente Ele te arrebatará o coração.




* * * * *


Autor:
J. Driesch,
"Contrição Perfeita - a Chave do Céu!"


Adaptação:
NOVÍSSIMOS DO HOMEM

domingo, 13 de junho de 2010

Visões de S. João Bosco - III
* O INFERNO - 3






+ + + + +



Visão de Dom Bosco


sobre o


INFERNO ETERNO


= 3.ª Parte =



* * *


Recordando a sorte dos ex-companheiros justos,
os réprobos vêem-se obrigados a confessar:

"Nos insensati! Vitam illorum aestimabamus insaniam
et finem illorum sine honore!"
[Nós, insensatos, considerávamos uma loucura a vida
que eles levavam e o seu fim sem gozo!]

"Ecce quomodo computati sunt inter filios Dei
et inter sanctos sors illorum est.
Ergo erravimus a via veritatis!"
[Eles foram contados entre os filhos de Deus
e entre os Santos tiveram a mesma sorte.
Nós negámos o caminho da Verdade!]

Por isso eles gritam:

"Lasati sumus in via iniquitatis et perditionis.
Erravimus per vias difficiles,
viam autem Domini ignoravimus!"
[Andámos em vias de iniquidade e perdição!
Vagueámos por caminhos perigosos,
ignorando o caminho do Senhor!]

"Quid nobis profuit superbia?"
[De que nos serviu o nosso orgulho?]

"Transierunt omnia illa tanquam umbra!"
[Tudo passou como uma sombra!]


Estes são os lúgubres cantos que ali ressoarão
por toda a Eternidade!
Mas inúteis gritos, inúteis esforços, inútil pranto!

"Omnis dolor irruet super eos!"
[Toda a dor recairá sobre eles!]


«Aqui não há tempo, apenas eternidade!»



* * *


Enquanto contemplava, cheio de horror, o estado de muitos dos meus jovens, assaltou-me imprevistamente uma ideia:

- Mas como é possível que os que se encontram aqui estejam todos condenados?!
Estes jovens, ainda ontem à tarde, estavam vivos, no Oratório!
Mas o Guia explicou-me:

- Os que aqui vês, ainda vivem, mas estão mortos para a Graça de Deus, e se morrerem agora, ou continuarem procedendo como no presente, condenar-se-ão!
Mas não percamos tempo; sigamos adiante.

E afastou-me daquele lugar, por um corredor que baixava a um profundo subterrâneo, conduzindo-me a outro, em cuja entrada estava escrito:
"Vermis eorum non moritur, et ignis non extinguitur... Dabit Dominus omnipotens ignem et vermes in carnes eorum, ut urantur et sentiant usque in sempiternum!" (Judite 16, 21)
[O seu verme não morrerá e o fogo não se extinguirá... O Senhor omnipotente dará fogo e vermes às suas carnes, para que ardam e sofram eternamente!].

Ali, contemplava-se o espectáculo dos atrozes remorsos daqueles que foram educados nas nossas casas!
A recordação de todos e de cada um dos pecados não perdoados e a sua justa condenação!
A de terem tido mil remédios, até mesmo extraordinários, para se converterem ao Senhor, para serem perseverantes no bem, para ganharem o Paraíso!

A recordação de tantas graças prometidas, oferecidas e dadas por Maria Santíssima, e não correspondidas!
Terem podido salvar-se, com tão pouco esforço, e perderem-se irremissivelmente para sempre!
Lembrarem-se de tantos bons propósitos feitos e não compridos!
Ah, bem diz o provérbio que o Inferno está cheio de boas intenções não realizadas!

Ali, voltei a ver todos os jovens do Oratório, os mesmos que tinha visto pouco antes naquele forno!
(Alguns dos quais estão-me ouvindo neste momento; outros já estiveram connosco, e outros eu não conhecia).
Aproximei-me, e observei que todos estavam cheios de vermes e animais asquerosos, que lhes roíam e consumiam o coração, os olhos, as mãos, as pernas, os braços, de maneira tão miserável que nem sei exprimir com palavras!
Estavam imóveis, expostos a toda a espécie de moléstias, e não podiam defender-se de modo algum!

Aproximei-me ainda mais, para que me vissem; esperando poder falar-lhes, para que me dissessem algo, mas nenhum falava nem me olhava.
Perguntei então ao Guia a causa disso, e foi-me respondido que no outro mundo (do Além) os condenados não têm liberdade.
Cada um sofre ali todo o castigo que Deus lhe impôs, sem que possa haver mutação de espécie
alguma.


- Agora é preciso - acrescentou o Guia - que também tu vás ao meio daquela região de fogo, que já viste.
- Não, não! - respondi aterrorizado.
Para ir ao Inferno é preciso ser antes julgado, e eu ainda não o fui. Não quero, pois, ir ao Inferno!

- Diz-me - observou o Amigo -, o que te parece melhor: Ires ao Inferno e livrares os teus jovens, ou ficares de fora e deixá-los no meio de tantos tormentos?

Atordoado, diante desta proposta, respondi:
- Oh, quero muito ao meus caros jovens, quero que todos se salvem!
Mas não poderíamos fazer de tal forma, que nem eles, nem eu, entremos aí?
- Ainda estás a tempo - respondeu-me o Guia
-, e também eles estão, desde que faças tudo o que podes.

O meu coração dilatou-se, e eu disse para mim mesmo:
- Pouco me importa sofrer, desde que possa livrar dos tormentos estes meus queridos filhos.
- Vem, pois, lá dentro - prosseguiu o Amigo -, e vê a Bondade e a Omnipotência de Deus, que amorosamente emprega mil meios para chamar à penitência os teus jovens, a fim de salvá-los da morte eterna!

E tomou-me pela mão, para introduzir-me na caverna.
Mal pus os pés no umbral, encontrei-me inesperadamente transportado para uma enorme sala com portas de cristal.
Sobre estas, a distâncias regulares, pendiam largos véus, os quais cobriam outros tantos departamentos que comunicavam com a caverna.
O Guia indicou-me um dos véus, sobre o qual estava escrito "Sexto Mandamento", e exclamou:
- A transgressão deste Mandamento é a causa da ruína eterna de muitos jovens.

- Mas eles não se confessaram?
- Sim, confessaram-se, mas os pecados, contra a bela virtude, confessaram-nos mal, ou calaram-nos por completo.
Por exemplo, uma alma que havia cometido quatro ou cinco desses pecados, confessou somente dois ou três.
Há quem tenha cometido um só pecado impuro na meninice e sempre teve vergonha de confessá-lo, ou confessou-o mal, ou não disse tudo.
Outros não tiveram arrependimento, nem propósito de emenda.

Mais ainda: alguns, em vez de examinarem a sua consciência, estudavam o modo de enganar o confessor.
E o que morre com tal resolução está consciente de pertencer ao número de condenados, e assim será por toda a eternidade.
Só os que, arrependidos de todo o coração, morrem na esperança da eterna salvação, esses serão eternamente felizes.
E agora queres ver por que a Misericórdia de Deus te conduziu até aqui?


Levantei o véu e vi um grupo de meninos do Oratório, todos meus conhecidos, condenados por esse pecado.
Entre eles, havia alguns que, na aparência, têm boa conduta.
- Pelo menos agora, deixar-me-ás escrever os nomes desses meninos, para poder adverti-los em particular?
- Não é preciso
- respondeu-me.

- Que devo então dizer a eles?
- Prega por toda a parte contra a impureza.
Basta avisá-los em geral, e não te esqueças de que, ainda que os avises em particular, prometerão cumprir, mas nem sempre com firmeza.
Para conseguir isso, requer-se a Graça de Deus, a qual, se bem pedida, jamais faltará aos teus jovens.
O bom Deus manifesta especialmente o Seu poder em compadecer-Se e perdoar.
Oração, pois, e sacrifício da tua parte.
Quanto aos jovens, que ouçam as tuas exortações, que interroguem as suas consciências, e ela sugerir-lhes-á o que devem fazer.


Estivemos então a conversar, cerca de meia hora, sobre as condições necessárias para fazer uma boa Confissão.
Depois, o Guia repetiu várias vezes, erguendo a voz:
- "Avertere! Avertere!"...
- O que significa essa exclamação?
- Mudar de vida, mudar de vida!...

Muito impressionado por aquela revelação, baixei a cabeça, e estava ao ponto de retirar-me, quando o Guia me chamou, dizendo:
- Ainda não viste tudo.
E, dirigindo-se a outra parte, levantou outro véu, sobre o qual estava escrito:
"Qui volunt divites fieri, incident in tentationem et laqueum diaboli"
[Os que querem ficar ricos, caem na tentação e no laço do Demónio].

Li e exclamei:
- Isso não diz respeito aos meus jovens, porque são pobres como eu; não somos ricos nem pretendemos sê-lo. Nem sequer o imaginamos...
Removido o véu, apareceram no fundo alguns meninos, todos meus conhecidos, que sofriam como os anteriores, e mostrando-os, disse-me:
- Acho que é também aos teus meninos que essa inscrição diz respeito.
- Explica-me, pois, o porquê da palavra "divites" [ricos].

- Por exemplo, alguns dos teus jovens têm o coração de tal maneira apegado a algum objecto material, que esse afecto afasta-os do Amor de Deus, e por isso faltam à caridade, à piedade, à mansidão.
Não somente com o uso das riquezas se perverte o coração, mas também com o desejo delas, sobretudo se esse desejo ofende a justiça.
Os teus jovens são pobres, mas repara que a gula e o ócio são péssimos conselheiros.
Há alguns que, em seus lugares de origem, tornaram-se culpados de furtos significativos, e podendo, não pensam em restituir.
Há quem estude a maneira de abrir com chaves falsas a despensa; quem procura entrar no escritório do prefeito, ou do ecónomo da casa; quem vai remexer as malas dos companheiros para roubar-lhes comestíveis, dinheiro ou livros para seu uso...

De uns e de outros, ele disse-me os nomes, e prosseguiu:
- Alguns encontram-se aqui por terem-se apropriado de objectos de vestuário, de roupa branca, de cobertores e colchas, que pertenciam à rouparia do Oratório, para enviá-los depois às suas casas.
Alguns, por terem causado voluntariamente danos graves, não os tendo reparado.
Outros, por não terem devolvido coisas que lhes haviam sido emprestadas; e outros, por terem retido somas de dinheiro, que lhes haviam sido confiadas para que as entregassem ao superior.

E o meu companheiro concluiu, dizendo-me:
- Já que tais pessoas te foram indicadas, avisa-as; diz-lhes que rejeitem todos os desejos inúteis e nocivos, que sejam obedientes à Lei de Deus e zelosos da sua honra.
Se não forem assim, a cobiça arrastá-los-á a excessos piores, que os submergirão
nas dores, na morte e na perdição.

Eu não conseguia entender como, para certas coisas consideradas insignificantes pelos nossos jovens, haviam sido preparados castigos tão horríveis.
Mas o Amigo cortou as minhas reflexões, dizendo:
- Recorda o que te foi dito diante do espectáculo dos cachos estragados da videira...


E o Guia levantou outro véu, que ocultava muitos dos nossos jovens, os quais logo reconheci, pois estão presentemente no Oratório.
Sob o véu, estava escrito:
"Radix omnium malorum! [Raiz de todos os males!]".

E logo perguntou-me:
- Sabes o que significa isso? Sabes qual é o pecado indicado por essa epígrafe?
- Parece-me que só pode ser o pecado do orgulho.
- Não é - respondeu-me.

- Mas sempre ouvi dizer que o orgulho é a raiz de todo o pecado.
- Sim, genericamente é; mas em concreto, sabes qual foi o delito que fez cair Adão e Eva no primeiro pecado, em consequência
do qual foram expulsos do Paraíso terrestre?
- A desobediência...
- Precisamente: A
desobediência é a raiz de todo o mal!

- E o que devo dizer aos meus jovens, sobre esse ponto?
- Presta atenção:
Os jovens, que tu vês aqui, são os desobedientes, que vão preparando para si próprios
tão lamentável fim.
Esses tais e outros, que tu crês que à noite vão descansar, ao passearem no pátio, descem (à rua), não fazendo caso das proibições, e vão a lugares perigosos; e trepam aos andaimes das obras em construção, pondo em risco até a própria vida.
Alguns, apesar das prescrições do regulamento, na Igreja não estão como devem, e em vez de rezarem, pensam em coisas completamente diversas, constroem na sua mente castelos no ar.
Outros, perturbam os companheiros.

Há os que, procurando atitudes cómodas, dormem durante as sagradas funções.
Outros, tu crês que vão à Igreja, e no entanto não vão.
Ai de quem descuida a oração!
Quem não reza, condena-se!
Alguns estão aqui porque, em vez de cantarem os cânticos sagrados, ou o Ofício da Santíssima Virgem, lêem livros que tratam de tudo, menos de religião; e outros - o que é muito degradante - chegam a ler
livros proibidos.

E continuou enumerando várias outras transgressões, que são a causa de graves desordens.
Quando terminou, comovido, olhei o Guia na face.
Ele também me fitou, e eu perguntei-lhe:
- Todas essas coisas, poderei contá-las aos meus jovens?
- Sim, podes dizer, a todos eles, aquilo de que te recordares.

- E que conselhos poderei dar-lhes, para que não lhes sucedam tão grandes desgraças?
- Insistirás, demonstrando como a obediência a Deus, à Igreja, aos pais e aos superiores, mesmo nas menores coisas, salvá-los-á.

- E o que mais?
- Dirás aos teus jovens que evitem todo o ócio, porque essa foi a causa do pecado do rei David.
Diz-lhes que estejam sempre ocupados, porque assim o Demónio não terá tempo de assaltá-los.

Inclinei a cabeça e prometi.
Não mais suportando aquele terror infernal, disse ao amigo Guia:
- Agradeço-te a caridade que tiveste comigo, mas rogo-te que me faças sair daqui.
- Vem comigo! - disse-me então.
E encorajando-me, tomou-me pela mão e sustentou-me, porque eu sentia-me extenuado e sem forças.
Uma vez saídos da sala, atravessámos rapidamente o horrível pátio e o largo corredor da entrada.

Antes de atravessar o umbral da última porta de bronze, mais uma vez voltou-se para mim, e exortou-me:
- Agora, que viste os tormentos dos outros, é preciso que tu também experimentes um pouco do Inferno.
- Não, não!
- gritei horrorizado.
Ele insistia, e eu recusava sempre.

- Não temas! - dizia-me. É só para experimentares. Toca nessa muralha!
Eu não tinha coragem e queria afastar-me, mas ele segurou-me, dizendo:
- No entanto, é necessário que experimentes.

E agarrando-me resolutamente pelo braço, levou-me para junto da muralha, dizendo:
- Toca-a rapidamente, uma só vez, para que possas dizer que visitaste as muralhas dos suplícios eternos, e que as tocaste; e também para que compreendas como será a última muralha, se a primeira já é tão horrível!
Vês esta muralha?

Observei-a com mais atenção: Era de colossal espessura!
E o Guia prosseguiu:
-
Esta é a milésima parede, antes de chegar ao verdadeiro fogo do Inferno. Mil muralhas rodeiam o Inferno!
Cada uma da muralhas tem mil medidas de espessura, e essa é a distância entre cada uma delas. Cada medida é de mil milhas.
Esta muralha dista, pois, um milhão de milhas do verdadeiro fogo do Inferno, e portanto, é um pequeníssimo início do mesmo Inferno!

Dito isto, e vendo que eu me encolhia para não tocar na muralha, o Guia agarrou a minha mão, abriu-a com força e fez com que eu a encostasse na pedra daquela milésima muralha!
Naquele instante, senti uma queimadura tão intensa e dolorosa que, saltando para trás e dando um fortíssimo grito, acordei!...



* * *


Encontrei-me sentado na cama, e sentindo que a mão ardia, esfregava-a na outra mão, tentando suavizar aquela misteriosa dor.
Quando amanheceu, observei que a mão estava realmente inchada.
E a impressão imaginária daquele fogo foi tão forte que, pouco tempo depois, a pele da palma da mão se desprendeu e mudou...



Caros amigos, tende em consideração que não vos contei estas coisas com todo o seu horror, tal como as vi, nem com a impressão que me fizeram, para não vos assustar demais.
Sabemos que o Senhor só nos falou do Inferno em sentido figurado, porque, ainda que no-lo houvesse descrito tal como é, não o teríamos entendido.
Nenhum mortal pode compreender essas coisas.
Mas o Senhor conhece-as e pode dizê-las a quem Ele quiser.

Durante várias noites sucessivas, tive tal perturbação que não pude dormir, por causa do medo.
Contei-vos brevemente o que vi, em sonhos muito longos; e deles não vos fiz senão um breve resumo.
Darei mais tarde instruções sobre o
respeito humano, sobre
o sexto e o sétimo Mandamentos, e sobre o orgulho.

Não farei mais do que explicar esses sonhos, porque eles estão em total conformidade com Sagrada Escritura; e ainda mais, não são senão um comentário do que se lê sobre o tema na mesma Escritura Sagrada.
Nas últimas noites, já vos contei algumas coisas; mas quando puder voltar ao assunto, contar-vos-ei as restantes, com as devidas explicações.


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Fonte:
Igreja Online

# - "1.ª e 2.ª Parte" destas visões infernais:
>> A seguir, mais abaixo...

A propósito, leia ainda este pertinente texto
de Santo Afonso Maria de Ligório:
+
A GRANDE ILUSÃO NA "MISERICÓRDIA DIVINA",
SEM ARREPENDIMENTO NEM CONVERSÃO PESSOAL



Adaptação:
Nova Evangelização
Católica