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Preparemo-nos bem para a hora da Morte e do Juízo,
a fim de escaparmos ao Inferno e ganharmos o Paraíso!


sábado, 1 de maio de 2010

Visões de S. João Bosco
* O PARAÍSO CELESTE - 2






* * * * * * *


O Paraíso Celeste


Visão de S. João Bosco

= 2.ª Parte =



Ao pronunciar essas últimas palavras, parecia que Dom Bosco estava fazendo grande esforço para encontrar as expressões adequadas; e fê-lo com um gesto indescritível e um tom de voz que comoveu a todos, parecendo ter-se cansado nesse esforço para encontrar os termos que exprimissem inteiramente sua ideia.
Após breve pausa, ele prosseguiu:

Também resplandeciam de luz todos os outros que o acompanhavam.
Vestiam-se de modos diversos, mas sempre maravilhosos; uns mais, outros menos ricos; uns de uma, outros de outra forma; num, dominava determinada cor; noutro, dominava outra; e cada uma das vestes tinha um significado que ninguém saberia compreender.
Mas todos tinham na cintura uma faixa vermelha...

Eu continuava a observar e pensava:
"Que significará isso? Como vim parar neste local?"...
E não sabia aonde me encontrava.
Fora de mim, temeroso pela reverência que tudo aquilo me inspirava, não me atrevia a dizer nada.
Também os outros continuavam silenciosos.
Por fim, Domingos Sávio começou a falar:

— Por que estás aí mudo, e como que aniquilado?
Não és mais aquele homem que de nada tinha medo, que enfrentava intrépido as calúnias, as perseguições, os inimigos, as angústias e os perigos de toda a espécie?
Onde está tua coragem? Por que não falas?

Com grande dificuldade, respondi, quase balbuciando:
— Não sei o que dizer... Mas, não és tu Domingos Sávio?
— Sim, sou; já não me reconheces?

— E como te encontras aqui? — acrescentei, sempre confuso.
Sávio, então respondeu, com afecto:
— Vim aqui para falar-te, como tantas vezes nos falámos na Terra!
Não recordas quanto me amavas, quantas provas de amizade e quantas demonstrações de benevolência me deste?
E eu por acaso não correspondi aos teus desvelos?
Como era grande a minha confiança em ti!
Por que motivo, então, tremes?
Coragem! Pergunta-me alguma coisa.

Então, recobrando o ânimo, disse-lhe:
— Tremo, porque não sei onde me encontro.
— Estás no local da felicidade — respondeu Sávio —, onde se gozam todas as alegrias, todas as delícias.

— É este, pois, o prémio dos justos?
— Não, certamente. Aqui não se gozam os bens eternos, mas só, ainda que em medida grande, os temporais.

— Mas então, são naturais todas essas coisas?
— Sim, se bem que embelezadas pelo Poder de Deus.

— E a mim, que me parecia que isto era o Paraíso! — exclamei.
— Não, não — respondeu Sávio. — Nenhuns olhos mortais podem ver as belezas eternas.

— E essas músicas — prossegui, perguntando —, são as harmonias de que gozais no Paraíso?
— Não, já te disse que não.

— São sons naturais?
— Sim, são naturais, mas aperfeiçoados pela Omnipotência de Deus.


— E esta luz, que sobrepuja a luz do Sol, é luz sobrenatural? É a luz do Paraíso?
— É luz natural, embora avivada e aperfeiçoada pela Omnipotência Divina.
— E eu não poderia ver um pouco de luz sobrenatural?
— Ninguém pode vê-la, enquanto não chegar a hora de ver a Deus "sicut est" [tal como Ele é].
O menor raio dessa luz tiraria, no mesmo instante, a vida de um homem, porque ela não é suportável pelas forças humanas.

— E poderia haver uma luz natural ainda mais bela do que esta?
— Se soubesses! Se visses somente um raio de luz natural, elevada a um grau superior a este, ficarias fora de ti.

— E não posso ver, ao menos, um raio dessa luz de que falas?
Sim, podes vê-lo, e terás a prova do que te digo; abre os olhos...

— Já os tenho abertos — respondi.
— Olha bem, no fundo desse mar de cristal...

Levantei a vista, e apareceu de repente no Céu, a uma distância imensa, uma instantânea centelha de luz, subtilíssima como um fio, mas tão brilhante, tão penetrante, que os meus olhos não puderam resistir.
Logo fechei-os, e lancei um grito tão forte que despertou o Padre Lemoyne (aqui presente), que dormia num quarto próximo...

Assustado, ele perguntou-me, na manhã seguinte, o que me acontecera de noite, para estar assim tão agitado.
Aquele fiozinho de luz era cem milhões de vezes mais claro que o Sol, e o seu fulgor bastaria para iluminar todo o Universo criado.
Após alguns instantes, consegui abrir os olhos, e perguntei a Domingos Sávio:

— Isso que vi, será talvez um raio divino?
Sávio respondeu:
— Não, não é luz sobrenatural; se bem que, comparada com a terrestre, seja tão superior em brilho.
Não é senão luz natural, assim avivada pelo Poder de Deus.
E ainda que imaginasses uma imensa zona de luz semelhante à centelhazinha que viste lá no fundo, rodeando todo o Mundo, nem por isso formarias para ti uma ideia dos esplendores do Paraíso.

— E vós, de que gozais, pois, no Paraíso?
— Ah, é impossível revelar-te tais coisas celestiais!
O que se goza no Paraíso nenhum homem mortal pode sabê-lo, enquanto não deixar esta vida e se reunir ao seu Criador.
Basta dizer que se goza o Próprio Deus.

Entretanto, eu já me recobrara plenamente deste meu primeiro aturdimento, pois contemplava absorto a beleza de Domingos Sávio, e com franqueza perguntei-lhe:

— Por que tens essa veste tão alva e deslumbrante?
Sávio calou-se, sem dar mostras de querer responder.
Mas o coro retomou então as suas harmonias e cantou, acompanhado de todos os instrumentos:

Ipsi habuerunt lumbos praecinctos et dealbaverunt stolas suas in Sanguine Agni [Eles tiveram os rins cingidos e purificaram as suas vestes no Sangue do Cordeiro].

— E por qual motivo – voltei a perguntar quando cessou o canto – tens essa faixa vermelha na tua cintura?

Nem sequer desta vez Sávio respondeu, mas antes fez sinal de que não queria fazê-lo.
Então, o Padre Alasonatti, em solo, pôs-se a cantar:

Virgines enim sunt, et sequuntur Agnum quocumque ierit [São virgens e seguirão o Cordeiro aonde quer que vá].


* * * * *


Compreendi, então, que a faixa encarnada, cor de sangue, era símbolo dos grandes sacrifícios feitos, dos violentos esforços e do quase martírio sofrido para conservar a virtude da Pureza; e que, para manter-se casto na presença do Senhor, ele teria estado pronto a dar a vida, se as circunstâncias o houvessem requerido; e que também era símbolo das penitências que limpam a alma da culpa.
A brancura e o esplendor da túnica significavam a inocência baptismal conservada.

Mas eu, atraído pelos cantos e contemplando todas aquelas falanges de jovens celestiais, ordenados atrás de Domingos Sávio, perguntei-lhe:

— Quem são estes que te rodeiam?
E, dirigindo-me aos demais, interroguei-os:
Como é que estais todos tão refulgentes?

Sávio continuou calado, mas todos os jovens logo puseram-se a cantar:
Hi sunt sicut Angeli Dei in Caelo [Estes são como Anjos de Deus no Céu].

Notava, entretanto, que Sávio parecia ter proeminência sobre aquela multidão, que a respeitosa distância se encontrava, uns dez passos atrás dele; e então perguntei-lhe:

— Diz-me, Sávio: Sendo tu o mais jovem entre os muitos que te seguem, e dos que morreram em nossas casas, por que vais tu assim à frente deles, precedendo-os? Por que és tu que falas, enquanto eles se calam?
— Eu sou o mais velho de todos.

— Não, muitos outros te superam em anos.
— Eu sou o mais antigo do Oratório — repetiu Domingos Sávio —, porque fui o primeiro a deixar o mundo, indo para a outra vida.
Além disso, "legatione Dei fungor"
[por mandato de Deus].

Essa resposta indicava-me o motivo da visão, pois ele era um embaixador de Deus.
— Então — disse-lhe —, falemos do que agora mais nos importa.
— Sim, e pergunta-me já o que ainda desejas saber.
As horas passam, e poderia acabar-se o tempo que me foi concedido para falar-te, pelo que já não mais poder-me-ias ver.

— Ao que parece, tens algum assunto de suma importância para me comunicares.
— Que irei dizer-te eu, miserável criatura? — acrescentou Sávio, com profunda humildade. — Recebi do Alto a missão de falar-te, e por isso vim.

— Então — pedi-lhe — fala-me do passado, do presente e do futuro do nosso Oratório. Fala alguma coisa dos meus queridos filhos, fala da minha Congregação.
— A respeito da Congregação, muito teria que te comunicar.

— Revela-me, pois, o que sabes: Fala-me do passado.
— O passado recai todo sobre ti.

— Terei feito alguma das minhas... [algum pecado]?
— Quanto ao passado, digo-te que a tua Congregação já fez muito bem. Vês lá em baixo aquele número interminável de jovens?

— Vejo-os – respondi. — Como são numerosos! E como parecem felizes!
— Pois, olha o que está escrito na entrada do Jardim.


— Está escrito: "Jardim Salesiano".
— Pois bem — prosseguiu Sávio —, todos eles foram salesianos:
Ou foram educados por ti, ou contigo tiveram alguma relação; ou foram salvos por ti e pelos teus sacerdotes e clérigos, ou por outros que encaminhaste por via da sua vocação.
Conta-os, se fores capaz. O seu número, porém, seria mil vezes maior, se maior tivesse sido a tua Fé e a tua confiança no Senhor.

Lancei um suspiro, sem saber o que responder por tal reprimenda, mas disse de mim para comigo: 'Daqui por diante, procurarei ter essa Fé e essa Confiança'...
Depois, perguntei-lhe:

— E quanto ao presente?
Sávio apresentou-me, então, um magnífico ramalhete, que tinha nas mãos.
Nele havia: rosas, violetas, girassóis, gencianas, lírios, sempre-vivas, e entre as flores, espigas de trigo.

Ofereceu-mo e disse:
— Observa-o...

— Vejo-o, mas nada entendo — respondi.
— Dá este ramalhete aos teus filhos, para que possam oferecê-lo ao Senhor, quando chegar o momento; procura que todos o tenham; que a nenhum deles lhes falte, nem lho deixem tirar.
Podes estar certo de que, com ele, terão o suficiente para serem felizes.

— Mas, o que significa esse ramalhete de flores?
— Consulta a Teologia; ela to dirá e te dará a explicação.

— Estudei Teologia, mas não saberei como tirar dela o significado do que me apresentas.
— Tens a estrita obrigação de saber tudo isso.

— Por favor, tira-me desta ansiedade, explicando-me tu mesmo!
— Vês estas flores? Representam as virtudes que mais agradam ao Senhor.

— E quais são elas?
— A rosa é símbolo da Caridade; a violeta, da Humildade; o girassol, da Obediência; a genciana, da Penitência e Mortificação; as espigas, da Comunhão frequente; o lírio, indica a bela virtude da qual está escrito: "Erunt sicut Angeli Dei in Caelo", a Castidade. E a sempre-viva significa que todas essas virtudes devem durar sempre, pois ela simboliza a Perseverança.

— Ora bem, meu caro Sávio, tu, que durante a vida praticaste todas essas virtudes, diz-me: O que foi que mais te consolou na hora da morte?
— O que te parece que possa ter sido? — interrogou Sávio.

— Foi, talvez, teres conservado a bela virtude da Pureza.
— Não, não foi só isso.

— Alegrou-te, talvez, teres a consciência tranquila?
— Isso é bom; porém, não é o melhor.

— Por acaso, o teu consolo terá sido a esperança do Paraíso?
— Não, não.

— Provavelmente, o facto de haveres entesourado muitas boas-obras?
— Também não.

— Então, qual foi o teu maior consolo da última hora? — perguntei, entre confuso e suplicante, vendo que não conseguia adivinhar o seu pensamento.

— O que mais me confortou, no transe da morte, foi a assistência da poderosa e amável Mãe do Salvador.
Diz isto aos teus filhos: Que não se esqueçam de invocá-La frequentemente, durante a vida...

(Continua)





* * * * * * *



Fonte: Igreja Online

# Visão de D. Bosco sobre o PARAÍSO - 1 e 2 (feed)

& Autocomentário:
IGREJA MILITANTE E IGREJA TRIUNFANTE


Nova Evangelização Católica

4 comentários:

José Avlis disse...

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= Tema relacionado =

IGREJA MILITANTE E IGREJA TRIUNFANTE

Caros irmãos, já pensaram na hipótese - embora absurda, pela Graça de Deus! -, de haver apenas a Igreja Militante (a da Terra) e não haver a Igreja Triunfante (a do Céu)?
E neste caso, o que seria de todos nós, a Humanidade, após a vida terrena?

Nestas condições, não haveria uma Eternidade de Glória para os justos, mas apenas uma espécie de Limbo, na melhor das hipóteses, para além de continuar a haver uma Eternidade de sofrimento para os pecadores, no Inferno...
Que infelicidade para todos nós!

Todavia, será imensamente pior se, além de perdermos o direito ao Céu - que graças a Deus existe para Deus, para os Anjos e para os Santos! -, ao morrermos em pecado mortal, voluntariamente ou por negligência, formos condenados ao fogo do Inferno!

Em resumo: Mal por mal, se dependesse apenas de nós, seria imensamente preferível não haver Céu nem Inferno, mas apenas uma lugar ou estado espiritual e eterno onde, embora não gozássemos por toda a Eternidade, também não sofrêssemos...

Mas Deus seria mais justo e bondoso assim, ao não premiar o justo, e também ao não punir o pecador, concedendo a ambos uma eternidade neutra?
Não sê-lo-ia, certamente, pelo menos a avaliarmos pela nossa noção de mera justiça humana.

E se, pelo contrário, Deus tanto salvasse o pecador como o justo, concedendo a ambos a Glória do Céu, pela Sua infinita Misericórdia?
Ele seria assim mais justo e clemente?
Certamente que também não, pelo menos a avaliar pela nossa fraca noção de justiça...

E finalmente, se Deus concedesse o Paraíso logo após a morte do justo, sem necessidade deste passar pelo Purgatório, a fim de ser purificado devidamente, antes de entrar no Céu?

Continua a parecer-nos que Ele não seria mais justo e misericordioso por isso mesmo, pois qualquer falta ou pecado, por mais leve que seja ou pareça (aos nosso olhos), é sempre de muita ou extrema gravidade para com Deus, em relação à Santidade infinita do mesmo Deus, que por isso mesmo não tolera nem sequer as mais leves impurezas na Vida Eterna do Seu Reino Celeste, na medida em que aí todos só poderão viver intimamente com Deus, face a face, e portanto isentos de qualquer mancha.

E assim como no Céu a glória destinada a cada justo é sempre proporcional aos seus merecimentos neste mundo, em face das suas virtude e boas obras, assim mesmo acontecerá no Inferno, sendo as penas eternas também proporcionais às graves faltas cometidas nesta terrena vida de provação...

E assim mesmo funciona tanto a infinita e santíssima Misericórdia e Bondade de Deus, quanto a Sua infinita e perfeitíssima Justiça e Retribuição, ainda que não concordemos ou não acreditemos nelas, o que só poderá reverter contra nós, tanto no Juízo particular como no Juízo final...

Todavia, segundo a própria revelação de Deus nas Sagradas Escrituras, aliás também revelada e atestada por muitos Santos, a infinita Misericórdia de Deus apenas funciona nesta vida terrena, antes da morte corporal (em muito maior percentagem do que a Sua Justiça), enquanto a infinita Justiça Divina funciona a cem por cento, e portanto já isenta de qualquer Misericórdia ou Clemência, no Julgamento particular e final de cada alma humana.

Por conseguinte, assim como morrermos, assim mesmo viveremos perpetuamente, eternamente felizes ou eternamente desgraçados, embora sempre na exacta proporção dos méritos ou deméritos que levarmos connosco desta efémera vida de rigorosa provação.

Quem pensa verdadeiramente a sério em tudo isso, vivendo em conformidade, segundo a Lei e a Vontade de Deus?
Muito poucos, por sinal, tragicamente!...

Oremos, pois e sobretudo, pela conversão de todos esses rebeldes e infelizes transgressores, que tentam servir simultaneamente a dois senhores, ou apenas ao príncipe deste mundo, o Demónio.

+ DEUS ACIMA DE TUDO !

_______
J. Avlis

Marlene Maravilha disse...

"Sede santos, como eu sou santo".
É melhor obedecer do que sacrificar.
O caminho para a Igreja Triunfante é mesmo pela porta estreita, e quem quiser testemunhar disso tem que fazer parte da alianca com Deus. Dentro da Onisciencia de Deus ele tem mesmo pensamentos para nós que nao sao os nossos, pensamentos grandes que nao sabemos, e nao conseguimos entrar no seu sobrenatural. A nossa parte é mesmo pela fé!
Abracos.

José Avlis disse...

Querida Irmã Marlene

Sim, sejamos santos, ou seja, tanto quanto possível perfeitos, à imagem de Jesus e de Deus que são santíssimos.
Se Jesus o disse, e se já há tantos santos entre a Igreja Militante e a Triunfante, desde há dois milénios, é porque a santidade cabe e compete a todos nós, mesmo aos maiores pecadores e ímpios.

Sendo assim, só não é santo quem não quer, e como tal será julgado e eventualmente condenado, ou então purificado (no Purgatório), a fim de finalmente entrar no Paraíso, alcançando desse modo a Vida eterna...

Caríssima Amiga, muito obrigado por ter aderido generosamente também a este blogue, assim como ao irmão mais velho Nova Evangelização.
Rezamos por si e pedimos que reze por nós, ou pelo menos que faça o favor de continuar a ser nossa amiga, o que já é muito bom.

Abraços fraternos para si e seus familiares, por Deus nosso Senhor.
J. Avlis

ale2santsant disse...

Ninguém está de fora desse chamado à santidade. Essa é uma vocação comum a todas as pessoas, em todos os lugares e em todas as épocas, especialmente para os crentes. Não há tempo fácil para buscar santidade de vida; nem tempos tão difíceis que a torne impossível de ser alcançada. Mas há um caminho que sempre deve ser encontrado e trilhado por aqueles que querem atender ao chamado. Purificação e aperfeiçoamento são alguns dos passos que fazem parte dessa caminhada....