* BEM-VINDO AO BLOGUE "NOVÍSSIMOS DO HOMEM" ! *

Preparemo-nos bem para a hora da Morte e do Juízo,
a fim de escaparmos ao Inferno e ganharmos o Paraíso!


sábado, 1 de maio de 2010

Visões de S. João Bosco
* O PARAÍSO CELESTE - 2






* * * * * * *


O Paraíso Celeste


Visão de S. João Bosco

= 2.ª Parte =



Ao pronunciar essas últimas palavras, parecia que Dom Bosco estava fazendo grande esforço para encontrar as expressões adequadas; e fê-lo com um gesto indescritível e um tom de voz que comoveu a todos, parecendo ter-se cansado nesse esforço para encontrar os termos que exprimissem inteiramente sua ideia.
Após breve pausa, ele prosseguiu:

Também resplandeciam de luz todos os outros que o acompanhavam.
Vestiam-se de modos diversos, mas sempre maravilhosos; uns mais, outros menos ricos; uns de uma, outros de outra forma; num, dominava determinada cor; noutro, dominava outra; e cada uma das vestes tinha um significado que ninguém saberia compreender.
Mas todos tinham na cintura uma faixa vermelha...

Eu continuava a observar e pensava:
"Que significará isso? Como vim parar neste local?"...
E não sabia aonde me encontrava.
Fora de mim, temeroso pela reverência que tudo aquilo me inspirava, não me atrevia a dizer nada.
Também os outros continuavam silenciosos.
Por fim, Domingos Sávio começou a falar:

— Por que estás aí mudo, e como que aniquilado?
Não és mais aquele homem que de nada tinha medo, que enfrentava intrépido as calúnias, as perseguições, os inimigos, as angústias e os perigos de toda a espécie?
Onde está tua coragem? Por que não falas?

Com grande dificuldade, respondi, quase balbuciando:
— Não sei o que dizer... Mas, não és tu Domingos Sávio?
— Sim, sou; já não me reconheces?

— E como te encontras aqui? — acrescentei, sempre confuso.
Sávio, então respondeu, com afecto:
— Vim aqui para falar-te, como tantas vezes nos falámos na Terra!
Não recordas quanto me amavas, quantas provas de amizade e quantas demonstrações de benevolência me deste?
E eu por acaso não correspondi aos teus desvelos?
Como era grande a minha confiança em ti!
Por que motivo, então, tremes?
Coragem! Pergunta-me alguma coisa.

Então, recobrando o ânimo, disse-lhe:
— Tremo, porque não sei onde me encontro.
— Estás no local da felicidade — respondeu Sávio —, onde se gozam todas as alegrias, todas as delícias.

— É este, pois, o prémio dos justos?
— Não, certamente. Aqui não se gozam os bens eternos, mas só, ainda que em medida grande, os temporais.

— Mas então, são naturais todas essas coisas?
— Sim, se bem que embelezadas pelo Poder de Deus.

— E a mim, que me parecia que isto era o Paraíso! — exclamei.
— Não, não — respondeu Sávio. — Nenhuns olhos mortais podem ver as belezas eternas.

— E essas músicas — prossegui, perguntando —, são as harmonias de que gozais no Paraíso?
— Não, já te disse que não.

— São sons naturais?
— Sim, são naturais, mas aperfeiçoados pela Omnipotência de Deus.


— E esta luz, que sobrepuja a luz do Sol, é luz sobrenatural? É a luz do Paraíso?
— É luz natural, embora avivada e aperfeiçoada pela Omnipotência Divina.
— E eu não poderia ver um pouco de luz sobrenatural?
— Ninguém pode vê-la, enquanto não chegar a hora de ver a Deus "sicut est" [tal como Ele é].
O menor raio dessa luz tiraria, no mesmo instante, a vida de um homem, porque ela não é suportável pelas forças humanas.

— E poderia haver uma luz natural ainda mais bela do que esta?
— Se soubesses! Se visses somente um raio de luz natural, elevada a um grau superior a este, ficarias fora de ti.

— E não posso ver, ao menos, um raio dessa luz de que falas?
Sim, podes vê-lo, e terás a prova do que te digo; abre os olhos...

— Já os tenho abertos — respondi.
— Olha bem, no fundo desse mar de cristal...

Levantei a vista, e apareceu de repente no Céu, a uma distância imensa, uma instantânea centelha de luz, subtilíssima como um fio, mas tão brilhante, tão penetrante, que os meus olhos não puderam resistir.
Logo fechei-os, e lancei um grito tão forte que despertou o Padre Lemoyne (aqui presente), que dormia num quarto próximo...

Assustado, ele perguntou-me, na manhã seguinte, o que me acontecera de noite, para estar assim tão agitado.
Aquele fiozinho de luz era cem milhões de vezes mais claro que o Sol, e o seu fulgor bastaria para iluminar todo o Universo criado.
Após alguns instantes, consegui abrir os olhos, e perguntei a Domingos Sávio:

— Isso que vi, será talvez um raio divino?
Sávio respondeu:
— Não, não é luz sobrenatural; se bem que, comparada com a terrestre, seja tão superior em brilho.
Não é senão luz natural, assim avivada pelo Poder de Deus.
E ainda que imaginasses uma imensa zona de luz semelhante à centelhazinha que viste lá no fundo, rodeando todo o Mundo, nem por isso formarias para ti uma ideia dos esplendores do Paraíso.

— E vós, de que gozais, pois, no Paraíso?
— Ah, é impossível revelar-te tais coisas celestiais!
O que se goza no Paraíso nenhum homem mortal pode sabê-lo, enquanto não deixar esta vida e se reunir ao seu Criador.
Basta dizer que se goza o Próprio Deus.

Entretanto, eu já me recobrara plenamente deste meu primeiro aturdimento, pois contemplava absorto a beleza de Domingos Sávio, e com franqueza perguntei-lhe:

— Por que tens essa veste tão alva e deslumbrante?
Sávio calou-se, sem dar mostras de querer responder.
Mas o coro retomou então as suas harmonias e cantou, acompanhado de todos os instrumentos:

Ipsi habuerunt lumbos praecinctos et dealbaverunt stolas suas in Sanguine Agni [Eles tiveram os rins cingidos e purificaram as suas vestes no Sangue do Cordeiro].

— E por qual motivo – voltei a perguntar quando cessou o canto – tens essa faixa vermelha na tua cintura?

Nem sequer desta vez Sávio respondeu, mas antes fez sinal de que não queria fazê-lo.
Então, o Padre Alasonatti, em solo, pôs-se a cantar:

Virgines enim sunt, et sequuntur Agnum quocumque ierit [São virgens e seguirão o Cordeiro aonde quer que vá].


* * * * *


Compreendi, então, que a faixa encarnada, cor de sangue, era símbolo dos grandes sacrifícios feitos, dos violentos esforços e do quase martírio sofrido para conservar a virtude da Pureza; e que, para manter-se casto na presença do Senhor, ele teria estado pronto a dar a vida, se as circunstâncias o houvessem requerido; e que também era símbolo das penitências que limpam a alma da culpa.
A brancura e o esplendor da túnica significavam a inocência baptismal conservada.

Mas eu, atraído pelos cantos e contemplando todas aquelas falanges de jovens celestiais, ordenados atrás de Domingos Sávio, perguntei-lhe:

— Quem são estes que te rodeiam?
E, dirigindo-me aos demais, interroguei-os:
Como é que estais todos tão refulgentes?

Sávio continuou calado, mas todos os jovens logo puseram-se a cantar:
Hi sunt sicut Angeli Dei in Caelo [Estes são como Anjos de Deus no Céu].

Notava, entretanto, que Sávio parecia ter proeminência sobre aquela multidão, que a respeitosa distância se encontrava, uns dez passos atrás dele; e então perguntei-lhe:

— Diz-me, Sávio: Sendo tu o mais jovem entre os muitos que te seguem, e dos que morreram em nossas casas, por que vais tu assim à frente deles, precedendo-os? Por que és tu que falas, enquanto eles se calam?
— Eu sou o mais velho de todos.

— Não, muitos outros te superam em anos.
— Eu sou o mais antigo do Oratório — repetiu Domingos Sávio —, porque fui o primeiro a deixar o mundo, indo para a outra vida.
Além disso, "legatione Dei fungor"
[por mandato de Deus].

Essa resposta indicava-me o motivo da visão, pois ele era um embaixador de Deus.
— Então — disse-lhe —, falemos do que agora mais nos importa.
— Sim, e pergunta-me já o que ainda desejas saber.
As horas passam, e poderia acabar-se o tempo que me foi concedido para falar-te, pelo que já não mais poder-me-ias ver.

— Ao que parece, tens algum assunto de suma importância para me comunicares.
— Que irei dizer-te eu, miserável criatura? — acrescentou Sávio, com profunda humildade. — Recebi do Alto a missão de falar-te, e por isso vim.

— Então — pedi-lhe — fala-me do passado, do presente e do futuro do nosso Oratório. Fala alguma coisa dos meus queridos filhos, fala da minha Congregação.
— A respeito da Congregação, muito teria que te comunicar.

— Revela-me, pois, o que sabes: Fala-me do passado.
— O passado recai todo sobre ti.

— Terei feito alguma das minhas... [algum pecado]?
— Quanto ao passado, digo-te que a tua Congregação já fez muito bem. Vês lá em baixo aquele número interminável de jovens?

— Vejo-os – respondi. — Como são numerosos! E como parecem felizes!
— Pois, olha o que está escrito na entrada do Jardim.


— Está escrito: "Jardim Salesiano".
— Pois bem — prosseguiu Sávio —, todos eles foram salesianos:
Ou foram educados por ti, ou contigo tiveram alguma relação; ou foram salvos por ti e pelos teus sacerdotes e clérigos, ou por outros que encaminhaste por via da sua vocação.
Conta-os, se fores capaz. O seu número, porém, seria mil vezes maior, se maior tivesse sido a tua Fé e a tua confiança no Senhor.

Lancei um suspiro, sem saber o que responder por tal reprimenda, mas disse de mim para comigo: 'Daqui por diante, procurarei ter essa Fé e essa Confiança'...
Depois, perguntei-lhe:

— E quanto ao presente?
Sávio apresentou-me, então, um magnífico ramalhete, que tinha nas mãos.
Nele havia: rosas, violetas, girassóis, gencianas, lírios, sempre-vivas, e entre as flores, espigas de trigo.

Ofereceu-mo e disse:
— Observa-o...

— Vejo-o, mas nada entendo — respondi.
— Dá este ramalhete aos teus filhos, para que possam oferecê-lo ao Senhor, quando chegar o momento; procura que todos o tenham; que a nenhum deles lhes falte, nem lho deixem tirar.
Podes estar certo de que, com ele, terão o suficiente para serem felizes.

— Mas, o que significa esse ramalhete de flores?
— Consulta a Teologia; ela to dirá e te dará a explicação.

— Estudei Teologia, mas não saberei como tirar dela o significado do que me apresentas.
— Tens a estrita obrigação de saber tudo isso.

— Por favor, tira-me desta ansiedade, explicando-me tu mesmo!
— Vês estas flores? Representam as virtudes que mais agradam ao Senhor.

— E quais são elas?
— A rosa é símbolo da Caridade; a violeta, da Humildade; o girassol, da Obediência; a genciana, da Penitência e Mortificação; as espigas, da Comunhão frequente; o lírio, indica a bela virtude da qual está escrito: "Erunt sicut Angeli Dei in Caelo", a Castidade. E a sempre-viva significa que todas essas virtudes devem durar sempre, pois ela simboliza a Perseverança.

— Ora bem, meu caro Sávio, tu, que durante a vida praticaste todas essas virtudes, diz-me: O que foi que mais te consolou na hora da morte?
— O que te parece que possa ter sido? — interrogou Sávio.

— Foi, talvez, teres conservado a bela virtude da Pureza.
— Não, não foi só isso.

— Alegrou-te, talvez, teres a consciência tranquila?
— Isso é bom; porém, não é o melhor.

— Por acaso, o teu consolo terá sido a esperança do Paraíso?
— Não, não.

— Provavelmente, o facto de haveres entesourado muitas boas-obras?
— Também não.

— Então, qual foi o teu maior consolo da última hora? — perguntei, entre confuso e suplicante, vendo que não conseguia adivinhar o seu pensamento.

— O que mais me confortou, no transe da morte, foi a assistência da poderosa e amável Mãe do Salvador.
Diz isto aos teus filhos: Que não se esqueçam de invocá-La frequentemente, durante a vida...

(Continua)





* * * * * * *



Fonte: Igreja Online

# Visão de D. Bosco sobre o PARAÍSO - 1 e 2 (feed)

& Autocomentário:
IGREJA MILITANTE E IGREJA TRIUNFANTE


Nova Evangelização Católica

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Visões de S. João Bosco
* O PARAÍSO CELESTE - 1





* * * * * * *


O Paraíso Celeste


Visão de S. João Bosco

= 1.ª Parte =



O Céu, na noite de 22 de Dezembro (de 1876), ficou memorável no Oratório de Dom Bosco.
A hora da Oração foi um pouco antecipada.
No Locutório, reuniram-se os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa.
Dom Bosco tinha prometido falar no Domingo anterior, mas não pudera fazê-lo.
Imagine-se a expectativa geral.
Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava, daquele modo, a "boa noite" à comunidade inteira.
Fez o sinal de que ia falar, e imediatamente fez-se completo silêncio...


Na noite em que estive em Lanzo - iniciou D. Bosco -, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive um sonho especial, que não tem nenhuma relação com sonhos normais.
São coisas muito estranhas.
Mas para os meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração.

Pensai o que quiserdes desse sonho.
Como diz S. Paulo, «quod bonum est tenete» [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrardes nele que seja de proveito para a vossa alma, sabei aproveitar-vos disso.
Quem não quiser acreditar-me, que não acredite, pouco importa; mas que ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.

Peço-vos ainda que não o conteis, nem o comuniqueis por escrito, aos que não são desta casa.
Aos sonhos, pode dar-se a importância que os sonhos merecem, e os que não conhecem a nossa intimidade poderiam formar juízos erróneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade.
Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais).

Mas o que um pai manifesta aos seus filhos queridos, para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, não passando adiante.
E ainda por outro motivo: É que em geral, quando se contam tais coisas por fora, ou se desfiguram os factos, ou se conta apenas uma parte deles, sendo por isso mal interpretados; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.

Deveis saber que, ordinariamente, temos sonhos quando dormimos.
Ora, na noite de 6 de Dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não me recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado, comecei a sonhar...



* * * * *


Logo me pareceu estar sobre uma elevação de terreno, ou numa colina, à beira duma imensa planície, cujos confins a vista não alcançava, pois perdiam-se na imensidão.
A planície era toda azulada, como um mar calmo, embora o que eu visse não fosse água, parecendo um cristal límpido e luminoso.
Sob os meus pés, por trás de mim e de ambos os lados, via uma região à maneira dum litoral, à margem do oceano.

Largos e gigantescos caminhos dividiam aquela planície em vastíssimos jardins de indescritível beleza, todos estes repartidos em bosquezinhos, prados e canteiros de flores, de formas e cores variadas.
Nenhuma das nossas plantas pode dar-nos uma ideia daquelas, embora tenham com elas alguma semelhança.
As ervas, as flores, as árvores, as frutas, eram vistosíssimas e de belíssimo aspecto.
As folhas eram de ouro; os troncos e ramos, de diamante; correspondendo tudo o mais a tal riqueza.
Era impossível contar as diferentes espécies de plantas, e cada uma resplandecia com uma luz própria.

No meio daqueles jardins e em toda a extensão da planície, eu contemplava incontáveis edifícios de ordem, beleza, harmonia, magnificência e proporções, tão extraordinárias, que para a construção de um só deles me parecia que não seriam suficientes todos os tesouros da Terra.
E eu dizia para mim mesmo:
Se os meus meninos tivessem uma destas casas, como gozariam, que felizes seriam e com quanto gosto viveriam nela!
Isto pensava eu, vendo externamente os palácios.
Qual não deveria ser então a sua magnificência interior!


Enquanto contemplava, extasiado, tão estupendas maravilhas que adornavam aqueles jardins, eis que chega aos meus ouvidos uma música dulcíssima, de tão agradável e suave harmonia que nem posso dar-vos dela a mínima ideia.
As músicas do Padre Cagliero e de Dogliani nada têm de musical, se comparadas àquela!
Eram cem mil instrumentos, produzindo cada qual um som diverso do outro, enquanto todos os sons possíveis difundiam pelos ares as suas ondas sonoras.
A tão maravilhosos sons, somavam-se ainda os inebriantes coros de cantores.

Vi então uma grande multidão de pessoas que se encontrava naqueles jardins e se regozijava com com imensa alegria e satisfação.
Uns tocavam e outros cantavam; e cada voz, cada nota, produzia o efeito de mil instrumentos reunidos, todos diferentes uns dos outros.
Ao mesmo tempo, ouviam-se os diversos graus da escala harmónica, desde os mais baixos até aos mais agudos que se possam imaginar, mas todos em perfeita harmonia.
Ah, para descrever-vos tal harmonia, não existem comparações humanas!

Via-se, pelo rosto dos felizes habitantes do jardim, que os cantores não só experimentavam extraordinário prazer em cantar, mas ao mesmo tempo sentiam imenso gozo em ouvir cantar os demais.
Quanto mais um cantava, mais se lhe acendia o desejo de cantar, e quanto mais ouvia, mais desejava ouvir.
Era isto o que eles cantavam:

«Salus, honor, gloria Deo Patri Omnipotenti!... Auctor saeculi, qui erat, qui est, qui venturus est iudicare vivos et mortuos, in saecula saeculorum».
[Saudação, honra e glória a Deus Pai Omnipotente!... Autor do tempo, Aquele que era e que é, e que virá a julgar os vivos e os mortos, por todos os séculos dos séculos].


Enquanto ouvia, atónito, essa celestial harmonia, vi aparecer uma imensa multidão de jovens, muitos dos quais eu conhecia, pois tinham estado no Oratório e noutros nossos colégios; mas era-me desconhecida a maior parte deles.
A multidão interminável dirigia-se para mim.

À sua frente, vinha (São) Domingos Sávio, e logo atrás dele vinham o Padre Alasonatti, o Padre Chiala, o Padre Giulitto, e muitos outros sacerdotes e clérigos, cada um deles conduzindo uma secção de jovens.
E eu perguntava a mim mesmo: Estou a dormir, ou estou acordado?
Batia as mãos uma na outra e tocava no meu peito, para certificar-me de que era realidade o que então via.

Chegada diante de mim toda aquela multidão, parou à distância de oito ou dez passos.
Brilhou então um relâmpago de luz mais viva; cessou a música e fez-se um silêncio profundo.
Todos os jovens estavam tomados pela maior alegria, que lhes transparecia no olhar, e nos seus rostos via-se a paz de uma felicidade perfeita.
Olhavam-me com um suave sorriso nos lábios, e parecia que desejavam falar, mas não falavam.

Então, adiantou-se Domingos Sávio, apenas alguns passos, e ficou tão próximo de mim que, se eu tivesse estendido a mão, certamente tê-lo-ia tocado.
Calava-se e olhava-me, sorrindo. Que belo ele estava!
As suas vestes eram verdadeiramente singulares:
Caía-lhe até aos pés uma túnica alvíssinia, coberta de diamantes e toda bordada de ouro.
Cingia-lhe a cintura uma ampla faixa vermelha, recamada com tantas pedras preciosas que uma quase tocava a outra, e entrelaçavam-se em desenhos tão maravilhosos, apresentando tanta beleza de cores, que eu, ao vê-lo, sentia-me fora de mim por tamanha admiração!

Pendia-lhe do pescoço um colar de flores raras, mas não naturais, parecendo como se as pétalas fossem de diamantes unidos entre si, sobre hastes de ouro; e assim era tudo o mais.
Essas flores refulgiam com luz sobre-humana, mais viva que a do Sol, que naquele instante brilhava com todo o esplendor duma manhã de Primavera.

As flores reflectiam os seus raios sobre o rosto cândido e corado (de Domingos Sávio), de modo indescritível, dando-lhe uma luz de modo tão singular, que nem se distinguiam bem as suas várias espécies.
A cabeça, tinha-a cingida com uma coroa de rosas; e os cabelos caíam-lhe sobre os ombros em ondulantes cachos, dando-lhe um ar tão pulcro, tão afectuoso, tão encantador, que parecia... parecia mesmo um Anjo!

(Continua)






* * * * * * *



Fonte: Igreja Online


Nova Evangelização Católica

sexta-feira, 16 de abril de 2010

SÍNTESE DO INFERNO - 2
+ Penas do Purgatório




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SÍNTESE DO INFERNO
- 2



Por muito incómodo que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está.
E não existe forma de nos evadirmos desta realidade.
Não é pelo facto de não falarmos no Inferno que este deixa de existir e de ser uma realidade assombrosa.

Infelizmente, hoje ouvimos muitos cristãos, inclusivamente padres, dizerem, em matéria de Fé e Moral:
"A minha opinião é que..."; "Eu acho que..."; "Parece-me que..."; «Eu penso que..."

A esses, dizemos:
Mas, amigo, que nos interessa a tua opinião, o teu pensamento, o teu...
A nós, Cristãos, interessa-nos o que Deus pensa, o que Deus acha e o que Deus diz.
E se Deus nos diz que há Inferno, é porque há!
Ou achas que vamos ser estúpidos e fazer mais caso das tuas "filosofias de treta" do que da Palavra de Deus?

O relativismo é fruto da soberba humana!
Deus é Eterno; e o que Ele disse, está dito, quer gostemos ou não.
Assim, ou estamos a caminhodo Céu, ou do Inferno...
Não há meios "que", nem meios "mas"...

Se não estamos a caminho do Céu, para o Inferno iremos...
Por isso, trabalhemos na nossa Salvação com Amor e Temor a Deus, pois como diz S. Paulo:
«Meus queridos... operai a vossa salvação com temor e tremor» (Fil 2, 12).

Que diferença!
Dantes, dizia-se:
"Os que aqui entrarem, abandonem toda a esperança".
Agora, afirma-se:
"É proibido aqui entrar"...
Dantes, os maus iam para o Inferno.
Agora, se existe Inferno, Deus é mau!
Agora, não são os homens que têm de obedecer a Deus... Deus é que tem de adaptar-se aos homens!

Os modernistas, de agora, resolveram reinventar o Evangelho, suprimindo a doutrina do Inferno, dos púlpitos e das catequeses, pois alegam não querer "ferir susceptibilidades", ou
"instalar psicoses de medo"...

Numa palavra, não querem desagradar ao mundo, pois correriam o risco de serem chamados "loucos" ou "retrógrados"!
Não percebem que a «sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» (1 Cor 3, 19).

Mas como se identificaram com o mundo, a eles aplica-se aquela palavra de Deus:
«Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o Amor do Pai» (Jo 2, 15).
E se não está nele o Amor do Pai, diz Jesus:
«Se alguém não permanece em Mim, é lançado fora, como o ramo seco. Tais ramos são recolhidos, lançados ao fogo e queimados» (Jo 15, 6).

Hoje prega-se um Evangelho manco, um Evangelho de moeda com uma só face; isto é, um Evangelho deficiente, pois já não se fala dos "Novíssimos do homem", salvo raras exceções, da Graça santificante actual, do pecado mortal...

E o que se conseguiu com isso?
Sempre que a luz se ofusca, avançam as trevas!
Queixam-se que as igrejas estão vazias, que há falta de vocações, que os seminários estão em crise...
Mas, se não acreditam na Eternidade, como podem convencer alguém a abandonar tudo por Cristo?

Sem a crença na Eternidade, é impossível existir vocações à Vida consagrada.
Humanizaram de tal maneira Jesus, que se esqueceram que Ele é Deus.
Assim, fizeram um cristianismo horizontal: do homem para o homem.

E se o homem é relativo nas suas posições morais e de Fé, Jesus Cristo, porque é homem, também o é.
Então, segundo essa degradada forma de pensar, tudo é relativo.
E tudo é de tal forma relativo que absolutizaram a relatividade.
É a "ditadura do relativismo": Toda a verdade é relativa, mesmo a Verdade de Cristo!

E ai de quem prega novamente as Verdades eternas e os Dogmas da Santa Igreja de Deus!
Esse é um fundamentalista, um tradicionalista; numa palavra, um retrógrado, que estagnou no tempo...

Hoje só se fala de amor, mas esquecem-se os filantropos que o amor para Deus tem significado diferente do que tem para o homem.
«Quem conhece os meus Mandamentos e os observa, é quem Me ama» (Jo 14, 21).
Isto é, quem não os guarda, nem os cumpre, não ama a Deus e engana-se a si próprio!
É claro como a água.

Sempre existiram dois caminhos para chegar até Deus.
Um mais perfeito do que o outro: o do Amor e o do Temor.
Da mesma forma que um carro tem um acelerador e um freio, da mesma forma, na estrada da vida, devemos acelerar no Amor de Deus e travar perante o pecado, pelo temor de Deus.

O que seria de um carro só com acelerador?
Na primeira curva despistava-se.
Do mesmo modo, não existe outra forma de caminharmos para Deus.

Devemos evitar o pecado, pelo temor de ofender a Deus, Pai Infinitamente Bom; e se isso não chegar, pelo medo do castigo do Inferno, com que nos ameaça a Justiça Divina.
E sobretudo pelo amor a Deus (em primeiro lugar), e através de Deus, também aos irmãos, sem olharmos a sacrifícios.


Revelou Jesus a D. Ottavio Michellini, sobre os Clérigos e Leigos cristãos:

«Se Deus pudesse mudar os Seus ensinamentos, não seria Deus.
A Palavra de Deus não se modifica, não muda, não mudará jamais; ela é eterna, como eterno é Deus.
Ora, Deus deu aos homens uma norma de vida, o Mandamento do Amor; mas disse também que o Amor a Deus deve estar unido ao Temor de Deus.


Tal como o Amor é um precioso dom, que se deve pedir sem cessar, também o santo Temor de Deus é um valioso dom.
Mas os homens desta geração, verdadeiramente perversa, deformaram tudo e tentam demolir tudo.


«Do Temor de Deus, hoje já não se fala; fala-se (só) do Amor a Deus, mas do Temor, não, porque eles dizem que o Temor não se concilia ou não se pode conciliar com o Amor.
Tal como, na sua insensatez, acham inconciliáveis Misericórdia e Justiça, assim acham inconciliáveis o Amor e o Temor de Deus.

«Em suma, hoje aceitam-se as coisas que convêm e repudiam-se as que perturbam...
Quem fala ainda do Temor de Deus?
Quem fala ainda da Justiça Divina?
Quem fala ainda da presença de Satanás no mundo?...

«Deus é terrível na sua Cólera (Justiça).
Ai dos que desafiam a Cólera de Deus, repousando na cómoda ideia de que em Deus não há senão Amor e Misericórdia!
Muitos condenados quereriam poder voltar atrás para reformar as suas ideias, pois agora vêem e compreendem claramente o astucioso engano de Satanás e a sua feroz maldade...

Os homens dizem que não temem a Deus; mas isto é uma terrível blasfémia, de que se pode prever as terríveis consequências neste mundo e para além da vida terrena...»

(Jesus a D. Ottavio Michellini, em 'Jesus aos Seus Sacerdotes e Fiéis')


A tal propósito, assim mesmo ensinava o Papa Pio XII:

«A pregação das primeiras Verdades da Fé e dos Fins últimos não só não perdeu oportunidade nos nossos tempos, mas está a ser mais necessária e urgente do que nunca; incluindo a pregação sobre o Inferno.
Sem dúvida que devemos tratar estes assuntos com dignidade e sabedoria.

«Mas quanto à substância dessas mesmas verdades, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sagrado dever de anunciá-la, de ensiná-la sem nenhuma atenuação, como Cristo a revelou, e não existe nenhuma condição temporal que possa diminuir o rigor dessa obrigação.


«Isto obriga em consciência todo o sacerdote, a quem, no Ministério ordinário ou extraordinário, confiou-se o cuidado de governar, avisar e guiar os fiéis.

«É verdade que o desejo do Céu é um motivo em si mais perfeito que o temor da pena eterna; mas daí, não se segue que seja também para todos os homens o motivo mais eficaz para tê-los longe do pecado e convertê-los a Deus».

(PIO XII em 'Exortação aos Párocos e Pregadores', na Quaresma de 1949)


E João Paulo II, na Exortação Apostólica Pós-sinodal "Reconciliatio et Paenitencia", n.º 26, diz:

«A Igreja nunca pode omitir, sem grave mutilação da sua mensagem essencial, uma constante catequese sobre o que a linguagem do Cristão tradicional designa como os quatro Novíssimos do Homem: Morte, Juízo (particular e universal), Inferno e Paraíso.

«Numa cultura, que tende a encerrar o homem na sua vicissitude terrena mais ou menos acessível, pede-se aos Pastores da Igreja uma catequese que abra e ilumine com a certeza da Fé no mais além da vida presente.

«No mais além das misteriosas portas da morte, perfila-se uma Eternidade de gozo na Comunhão com Deus, ou (uma Eternidade) de dor longe d'Ele.

Somente nesta visão escatológica, pode ter-se uma medida exacta do pecado e sentir-se impulsionado decididamente à penitência e à reconciliação».

Então, há que catequizar sobre estes temas, de forma a que aqueles que nos ouvem percebam que não queremos que vão para o Inferno, mas que a isso nos obriga por dever de sermos fiéis ao Evangelho e a Cristo.

Pois, como dizia S. João Crisóstomo:
«Deus não nos ameaça com o Inferno por querer condenar-nos, mas para que nos livremos dele» (De Poenit. Hom. 3).

E terminamos com a Palavra de Deus Vivo:
«Teme a Deus e observa os Mandamentos, porque este é o dever de todo o homem. Porque Deus julgará toda obra, até mesmo a que está escondida, para ver se é boa ou má» (Ecles 12, 13-14).


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C O N C L U S Ã O


Para terminar, queremos só citar as revelações de Jesus a Santa Josefa Menedez, tiradas da sua obra "Convite a uma Vida de Amor", de Soror Josefa Menendez, que pela sua seriedade e beleza fazem pensar...

Revelações tiradas de
"Convite a uma Vida de Amor", (Sóror Josefa Menendez, 2.ª ed., 1948, págs. 94 a 133):

" Ensinar-te-ei os Meus segredos de Amor, e tu serás exemplo vivo da Minha Misericórdia, porque, se tenho tanto amor e predileção por ti, que não és mais que miséria e nada, o que não farei Eu por muitas outras almas mais generosas do que tu?

" Farei conhecer que a Minha Obra repousa sobre o nada e a miséria, e que esse é o primeiro anel da Cadeia de Amor, que desde toda a eternidade preparo às almas.

" Farei conhecer até que ponto o Meu Coração as ama e lhes perdoa.
Vejo o íntimo das almas... O acto de humildade que fazem reconhecendo a sua fraqueza... Pouco se Me dá a fraqueza delas... Supro o que lhes falta.

" Farei conhecer como é que o Meu Coração se serve dessa fraqueza, para dar a vida a muitas almas que a perderam.
Farei conhecer que a medida do Meu Amor e da Minha Misericórdia, para com as almas caídas, não tem limites...

" Se tu és um abismo de miséria, Eu sou um abismo de Bondade e Misericórdia.
O Meu Coração é o teu refúgio. Vem procurar n'Ele tudo aquilo de que precisas, ainda mesmo que não se trate de coisas que Eu te peça.

" Não julgues que deixarei de amar-te por causa das tuas misérias, não.
O Meu Coração ama-te e não te abandonará jamais.
Bem sabes que é propriedade do fogo abrasar o destruir.
Assim, é próprio do Meu Coração perdoar, purificar e amar.

" Não te disse muitas vezes que o Meu único desejo é o de que as almas Me dêem as suas misérias?
Se não ousas aproximar-te de Mim, aproximar-me-ei Eu de ti.

" Quanto mais fraquezas encontrares em ti, tanto mais Amor encontrarás em Mim.
Pouco Me importam as tuas misérias; o que Eu quero é ser o dono da tua miséria.

" A tua pequenez dá lugar à Minha Grandeza...
A tua miséria e mesmo os teus pecados dão lugar à Minha Misericórdia... A tua confiança atrai o Meu Amor e a Minha Bondade.

" Não vos peço senão aquilo que tendes:
Dai-Me o vosso coração vazio e Eu o encherei; dai-Mo despido de tudo e Eu o revestirei; dai-Me as vossas misérias e Eu as consumirei.
O que não vedes, Eu vo-lo mostrarei... Pelo que não tendes, Eu responderei.

" Há muitas almas que crêem em Mim, mas há poucas que acreditam no Meu Amor; e entre as que acreditam no Meu Amor, são pouquíssimas as que contam com a Minha Misericórdia...

" Se peço amor em correspondência ao que Me consome, esse não é o único retorno que desejo das almas:
Desejo que creiam na Minha Misericórdia, que esperem tudo da Minha Bondade, e não duvidem nunca do Meu Perdão.

" Sou Deus, mas um Deus de Amor. Sou Pai, mas um Pai que ama com ternura, e não com severidade.
O Meu Coração é infinitamente Santo, mas também é infinitamente Sábio, e como Ele conhece a miséria e a fragilidade humanas, inclina-Se para os pobres pecadores com Misericórdia infinita.

" Amo as almas que, depois de cometerem o seu primeiro pecado, Me vêm pedir humildemente perdão...
Amo-as ainda quando choram o seu segundo pecado; e se estes se repetem, não digo um milhar de vezes, mas digo milhares de milhões de vezes, amo-as e perdoo-lhes sempre, lavando no Meu Sangue tanto o último, quanto o primeiro pecado.

" Não Me canso das almas, e o Meu Coração espera sempre que venham refugiar-se n'Ele, por mais miseráveis que sejam!
Não tem um pai mais cuidado com o filho que é doente, do que com os que têm boa saúde?
Para com esse filho, não são maiores as suas delicadezas e a sua solicitude?
Assim também, o Meu Coração derrama sobre os pecadores, com mais liberalidade do que sobre os justos, a Sua compaixão e a Sua ternura.

" Quantas almas encontrarão a vida nas Minhas palavras!
Quantas cobrarão ânimo, ao ver o fruto dos seus esforços: um pequeno acto de generosidade, de paciência, de pobreza, pode vir a ser um tesouro e ganhar para o Meu Coração um grande número de almas...

" Eu não atendo à acção, atendo à intenção.
O menor acto, feito por amor, pode adquirir tanto mérito e dar-Me tanta consolação!
O Meu Coração dá valor Divino às menores acções.
O Eu que quero é amar. Não procuro senão amor. Não peço senão amor...

" O fogo eterno do Inferno será a merecida paga pelo Amor de Deus desprezado, calcado aos pés... "


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O PURGATÓRIO


As almas dos justos que, no instante da morte, têm pecados veniais, ou penas temporais devidas, vão ao Purgatório. (Verdade de Fé)

O Purgatório (estado de purificação) é um lugar ou estado onde se sofrem temporariamente castigos de expiação.

Os Concílios de Lyon e Florença fizeram a seguinte declaração contra os gregos cismáticos, que se opunham principalmente à existência de um lugar especial de purificação, ao fogo do Purgatório e ao carácter expiatório das suas penas:
«As almas que partiram deste mundo no Amor de Deus, com verdadeiro arrependimento dos seus pecados, mas sem terem satisfeito com verdadeiros frutos de penitência pelos seus pecados por actos e omissões, são purificadas depois da morte com as penas do Purgatório» (Dz 464, 693; cf. Dz 456, 570 s).

No Catecismo da Igreja Católica, é dito:

1030. Os que morrem na
Graça e na Amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua Salvação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na glória do Céu.

1031. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados.
A Igreja formulou a doutrina da Fé relativa ao Purgatório, sobretudo no Concílio de Florença e de Trento.
Fazendo referência a certos textos da Escritura, a Tradição da Igreja fala de um fogo purificador
(Parágrafos relacionados em 954 e 1472).

No que concerne a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do Juízo final, um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que, se alguém tiver pronunciado uma blasfémia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século, nem nos séculos futuros (Mt 12, 32).
Desta afirmação, podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente (ainda neste mundo), ao passo que outras só no século futuro (no Purgatório) [a 21].

1032. Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala:
«Eis porque ele (Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seus pecados» (2 Mac 12, 46).

Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, e ofereceu sufrágios a seu favor, em especial o Sacrifício Eucarístico, a fim de que, já purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus.
A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência, a favor dos defuntos. (Parágrafos relacionados: 958, 1372, 1479)

Levemos-lhes socorro e celebremos a sua memória.
Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício de seu pai [a 23], por que deveríamos duvidar de que as nossas oferendas, a favor dos mortos, lhes levem alguma consolação?
Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles.

E o Concílio de Trento, no Decreto sobre o Purgatório, afirma:

983. "Já que a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, apoiada nas Sagradas Escrituras e na antiga Tradição dos Padres, ensinou nos sagrados Concílios, e recentemente também neste Concílio Ecuménico, que existe Purgatório [cf. n.° 840], e que as almas que nele estão detidas são aliviadas pelos sufrágios dos fiéis, principalmente pelo Sacrifício do Altar [cf. n.º' 940, 950], prescreve o santo Concílio aos Bispos que façam com que os fiéis mantenham e creiam na sã Doutrina sobre o Purgatório, aliás transmitida pelos Santos Padres e pelos Sagrados Concílios, e que a mesma doutrina seja pregada com diligência por toda parte.


"Sejam, outrossim, excluídas das pregações populares, à gente simples, as questões difíceis e subtis, e as que não edificam (cf. 1 Tim 1, 4), nem aumentam a piedade". (Sessão XXV - 3/4-12-1563)

São Pio X, no seu Catecismo maior, definia o Purgatório como «o sofrimento temporário da privação de Deus e doutras penas que apagam da alma todos os restos de pecado».

A Sagrada Escritura ensina directamente a existência do Purgatório, concedendo a possibilidade duma purificação na vida futura.

Segundo o Livro dos Macabeus (2 Mac 12, 42-45), os judeus oraram pelos caídos em combate, a fim de que o Senhor lhes perdoasse os pecados; e para isso enviaram 2000 dracmas de prata a Jerusalém, para que se fizessem sacrifícios pelos seus pecados.
Estavam, pois, convencidos de que aos defuntos pode-se livrá-los do seu pecado, por meio da oração e do sacrifício.

O próprio hagiógrafo do Livro sagrado, no versículo 45, diz:
«Porém, se considerava-se que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar.
Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado».

As palavras de Jesus em S. Mateus (12, 32): «Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se a disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro»... admitem a possibilidade de que certos pecados se perdoem, ou expiem, não só neste mundo, mas também no futuro.

S. Gregório Magno comenta:
«Nesta frase, dá-se-nos a entender que algumas culpas se podem perdoar neste mundo e outras também no futuro» (Dial. IV 39).

Natureza do suplício do Purgatório:

No Purgatório distingue-se de maneira análoga ao Inferno, por uma pena de dano e outra de sentido.

A Pena de dano consiste no adiamento temporal da visão beatífica de Deus.
Como já aconteceu o juízo particular, a alma sabe que a exclusão é somente de carácter temporal, possuindo a certeza de que no fim possuirá a Bem-aventurança.
(Dz 778)

As Almas do Purgatório têm consciência de serem filhas e amigas de Deus, suspirando por unirem-se intimamente a Ele.
Daí, resulta que essa separação temporal seja para elas mais dolorosa.

À pena de dano, acrescenta-se a pena dos sentidos.
Tendo em conta a passagem de S. Paulo (1 Cor 3, 15), a generalidade dos Santos e dos teólogos supõem a existência dum fogo espiritual, ou mesmo físico, diferente em natureza do nosso fogo terreno, como instrumento externo de castigo.
No entanto, a Igreja, nas suas declarações oficiais, nunca falou em fogo do Purgatório, mas somente nas penas do Purgatório.
(Dz 464, 693)

Objecto da Purificação:

Na vida futura, a remissão dos pecados veniais, ainda não perdoados, efectua-se, segundo a doutrina de S. Tomás de Aquino (De Malo 7, 11), de maneira semelhante a esta vida: Por um acto de contrição perfeita, realizada com a ajuda da Graça Divina.

Este acto de arrependimento, que se faz imediatamente depois de entrar no Purgatório, não causa a supressão ou diminuição da pena (na vida futura não existe a possibilidade de mérito), mas unicamente a remissão da culpa.

As penas temporais, devidas pelos pecados e ainda não satisfeitas, são cumpridas no Purgatório, por meio do sofrimento expiatório; isto é, por meio da aceitação voluntária dos castigos purificadores impostos por Deus.

Duração do Purgatório:

O Purgatório não subsistirá depois de ter tido lugar o Juízo universal. (Sentença comum)

Depois do Soberano Juiz pronunciar a Sua sentença, no Juízo Universal (Mt 25, 34-41), não existirá mais do que dois estados: o do Céu e o do Inferno.

Para cada alma, o Purgatório durará até que se atinja a completa purificação de todo o vestígio de culpa e pena.
Uma vez terminada a purificação, será recebida na Bem-aventurança Celeste. (Dz 530, 693)





= F I M =


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Adaptação:
NOVÍSSIMOS DO HOMEM


sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Virgem Santíssima e o Inferno
+ Síntese do Inferno - 1




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A Virgem Maria

E o Inferno



«Amar a Virgem Maria é sinal de predestinação eterna» (S. Bernardo de Claraval).

Maria é a Mãe de Jesus, sendo este o Filho de Deus Vivo.
Qual seria o filho que amasse a sua mãe e que, podendo contentá-la, não o fizesse?
Jesus, porque é Deus, podendo fazer sua Mãe feliz, não pode recusar nada Àquela que nada Lhe recusou.

Faria sentido que Jesus recusasse algo Àquela que venera e ama acima de todas as (demais) criaturas, ao ponto de tê-la escolhido para sua Mãe?
Não faria nenhum sentido.
Por isso, dizemos que Maria é Omnipotente junto de Deus, pelas suas súplicas.

Diz o Evangelho:
«Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso».
Se Jesus era submisso a Maria e a José, na Sua vida terrena, por que razão, agora que está glorificado à direita do Pai, não o continuaria a ser na Ordem Divina?
Será que Ele poderia ser tão ingrato, ao ponto de se ter esquecido de Maria e de José?

A grandeza de Jesus, diz S. Paulo, reside no facto de que:
«Ele tinha Condição Divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegasse ciosamente.
Mas esvaziou-se a Si mesmo, assumindo a condição de Servo e tomando a semelhança humana. E reduzido à figura de homem, humilhou-Se e foi obediente até à morte e morte de cruz!
Por isso, Deus exaltou-O grandemente e agraciou-O com o Nome que está sobre todos os nomes, para que ao Nome de Jesus... toda a língua confesse que Jesus é o Senhor»
(Fl 2, 6-11).

E se Jesus é o Senhor, Maria, a Mãe de Jesus, é a Mãe do Senhor.
Ora, a Mãe de um Rei - «Então, tu és Rei? Respondeu Jesus: "Tu o dizes: Eu sou Rei" » (Jo 18, 37) - é uma Rainha.
E é do senso comum, que o poder de uma Rainha, junto do coração de um Rei, é enorme.

Por isso, repito, os Cristãos afirmam que Maria é toda poderosa junto do Coração de Deus; isto é, junto de Jesus, pois Jesus, como Filho perfeito, deve obediência, no sentido estrito, à Sua Mãe, até mesmo no Céu.
Não porque Maria tenha poder algum por si só. Mas o poder de Maria vem, não d'Ela mesma, mas do seu grande e especial poder de intercessão, já que Deus não quer recusar nada de legítimo Àquela que venera e ama acima de todas as Suas criaturas.
Assim mesmo, não devemos recear venerar Maria, pois é a Deus que veneramos e louvamos em Maria.

Então, se Maria é Omnipotente nas suas súplicas junto de Deus Altíssimo, quem melhor do que Ela, para livrar o pecador do Inferno, senão Aquela que deixou imolar o próprio Filho, a fim de satisfazer a Justiça Divina pelo pecado?

Por isso mesmo, dizia S. Bernardo:
«Se erguem-se as tempestades das tentações, se vos encontrais no meio dos escolhos das tribulações, erguei os olhos para a Estrela do Mar, chamai Maria em vosso auxílio.
Se sois sacudidos à mercê das vagas da soberba, da ambição, da maledicência, da inveja, olhai para a Estrela, invocai a Maria.
Se, perturbados pela grandeza dos vossos crimes, confusos pelo estado miserável da vossa consciência, trespassados de horror com o pensamento do Juízo, começais a soçobrar no abismo da tristeza e do desespero, pensai em Maria, invocai Maria.

«A Sua invocação, o pensamento n'Ela, não se afastem, nem do vosso coração, nem dos vossos lábios.
E para obterdes mais seguramente o auxílio das suas preces, não vos descuideis de imitar os seus exemplos.
Seguindo-a, não vos extraviareis; suplicando-a, não desesperais; pensando n'Ela, não vos perdereis.
Enquanto Ela vos tem na sua mão, não podeis cair; sob a sua protecção, não tendes nada que temer; sob a sua guia, não há cansaço; com o seu favor, chega-se seguramente ao termo».

(Homil. II, De Laudibus Virg. Matris, 17)

Então, apoiemo-nos em Maria e supliquemos Àquela que é a nossa Mãe na ordem da Graça, pois se «Ele predestinou-nos para sermos Seus filhos adoptivos por Jesus Cristo» (Ef 1, 5), então isso significa que somos irmãos de Jesus; e se somos irmãos de Jesus, somos filhos de Maria, pois Maria tomou-nos como seus filhos, quando Jesus disse: «Eis a tua Mãe!» (Jo 19, 27).
Em João, estavas tu e eu, toda a humanidade!
Se somos filhos de Maria, invoquemo-la como Mãe, que o é de facto.
E qual é a Mãe que permanece surda às súplicas de um seu filho em perigo de morte?

Então, supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no número dos eleitos, e dessa forma não caiamos naquele sítio que a Sagrada Escritura descreve como o "horror eterno":
«O Senhor Todo-Poderoso puni-los-á no dia do Juízo. Porá fogo e vermes nos seus corpos, e eles chorarão de dor eternamente» Judite (Jd 16, 17).

Por isso, digamos como Job: «O Temor do Senhor, eis a Sabedoria; fugir do mal, eis a Inteligência» (Jó 28, 28).
Pois os olhos do Senhor estão voltados «para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da Minha palavra» (Is 66, 2).


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SÍNTESE DO INFERNO


Deus não é Amor para que nós (também) sejamos maus.
Se Deus fosse bom para que nós fôssemos maus, Deus não seria Bom.
«O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria» (Prov 1, 7).

Muitos esquecem-se que «a sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem» (Lc 1, 50). E não para aqueles que abusam dessa mesma Misericórdia.
Errar e pecar é humano. Mas amar o pecado e o erro e neles persistir é diabólico.

O Amor de Deus não é um jogo (de sorte ou azar).
Não se é amado incondicionalmente por um Deus Infinito até à morte de Cruz.
Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo.

Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre o Inferno e sobre as consequências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao Inferno, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão (mesmo sem o mínimo arrependimento).
Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente...

Já dizia Jesus Cristo a Santa Catarina de Sena:
«Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando (mesmo assim) poderem contar com a Minha misericórdia.
Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam.
A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demónio e da confusão de espírito.
Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!»
(Santa Catarina de Sena, O Diálogo, 14-14)

A vã hipótese duma eternidade sem ninguém que se tenha condenado, ou se vá condenar, seria uma eternidade frívola, não séria, seria como um inferno "light", morno.
Não valeria a pena lutar para evitar o Inferno verdadeiro.

A proposta dos modernistas e relativistas é uma proposta demagógica e autoritária.
Autoritária, porque todos se salvarão, ainda que não queiram ou não mereçam.
Demagógica, porque, como os políticos actuais, fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não cumprirão, e muitos descobrirão o engano quando já for tarde demais... E a quem reclamarão?

Não que não devamos ter esperança. Mas esta deve ser fundamentada numa procura incessante pelo Rosto de Deus e num afastamento do pecado e das ocasiões que levam a ele.
Apelar à esperança da Salvação, sem apelar para uma vida séria segundo a Moral Cristã, longe do pecado e das suas ocasiões, é pura demagogia.

Se Deus fosse "misericordioso" com todos os homens bons e maus, se concedesse a todos a graça da conversão antes da morte, seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria estes a pecar e a esperar na Sua misericórdia.
Mas não, quando chega ao fim das Suas misericórdias, Deus castiga e não perdoa mais:

«Agora, que chegou o teu fim, vou desencadear a Minha ira contra ti, e julgar-te-ei de acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações, de acordo com o teu comportamento.
Já não terei um olhar de compaixão para ti; não te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento, as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti, e então sabereis que Eu sou Iavé»
(Ez 7, 3-4); e acrescenta mais:
«O Meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei, antes pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento» (Ez 7, 9).

Se Deus quisesse, com uma vontade sem limites, a salvação de todos os homens, para quê a Encarnação do Seu Filho?
Para quê a Morte na cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os padres, os diáconos? Para quê os Sacramentos, a Liturgia, a Palavra de Deus, a Bíblia?...

O Inferno povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça.
Os modernistas de agora querem o Inferno vazio, até evitam falar dele, e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais.
São os colonizadores do Inferno, pois como não avisam o homem do perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar indirectamente e por isso mesmo a perder-se.

Escreve Santo Afonso Maria de Ligório:
«Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se.
Deus é Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia (desvirtuada) para o Inferno.
Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende».

Ele usa de Misericórdia com os pecadores, mas só com quem, após ofendê-Lo, o lamenta sinceramente, temendo voltar a ofendê-LO:
«A Sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem», cantou a Mãe de Deus.

Com os que abusam da Sua Misericórdia, para desrespeitá-Lo ou desprezá-Lo, Ele usa da Sua Justiça.
O Senhor perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.

Escreve S. Agostinho que: quem peca com esperança de arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de Deus.
Ora, S. Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba» (Gl 6, 7).
Seria gozar a Deus ofendê-Lo como e quanto se quer, e mesmo assim ter a pretensão de ir ao Céu.

Por muito incómodo e insondável que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está.
E não existe forma alguma de nos evadirmos desta realidade.
Não é pelo infeliz facto de não falarmos ou não acreditarmos no Inferno, que ele deixa de existir e de ser uma espantosa e terrível realidade...


(Continua)


quinta-feira, 25 de março de 2010

ARGUMENTOS E PROVAS TEOLÓGICAS
SOBRE O INFERNO ETERNO - I





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PORQUÊ CRIOU DEUS O INFERNO?


Argumentos Teológicos e Racionais



«Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo do Inferno, preparado para o Diabo e seus anjos...
E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a Vida eterna»
(Mt 25, 41.46)

Aquele que afirmou:
«Por que não entendeis a Minha linguagem? Por que não podeis ouvir a Minha palavra? Vós tendes por pai o Diabo, e quereis realizar os desejos o vosso pai. Ele foi assassino desde o principio, e não esteve pela verdade, porque nele não à verdade...
Por isso, não acreditais em Mim, porque vos digo a verdade... Se digo a verdade, porque não acreditais? Quem é de Deus, escuta as palavras de Deus; vós não as escutais porque não sois de Deus»
(Jo, 8, 42-47).

Jesus não mente. Ele é a Verdade.
Se Ele afirmou claramente que o Inferno é uma realidade, por que duvidar? Todo aquele que nega a realidade do Inferno, nega que Jesus seja a Verdade, e todo aquele que não crê em Jesus, está escrito:

«Quem crê no Filho têm a Vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a Vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus» (Jo 3, 36).
E ainda: «Quem n'Ele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus» (Jo 3, 18).


Quem é que não acredita no Inferno?
Quem apenas lhe convém que ele não exista.
«De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz, para que as suas acções não sejam desmascaradas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus» (Jo 3, 20-21).

Jesus referencia aproximadamente 20 vezes o Inferno no Evangelho de S. Mateus, e cerca de 10 vezes fala em 'fogo' (do Inferno)!
E no Novo Testamento afirma-se cerca de 23 vezes que existe fogo.
Porquê esta sua preocupação extrema em alertar-nos frequentemente para a terrível realidade do Inferno, se ele não existisse?

Deus, o Sumo Bem, afirma:
«Por que quereis morrer, casa de Israel? Pois eu não me comprazo com a morte de quem quer que seja - oráculo do Senhor Deus. Convertei-vos e vivei» (Ez 18, 32)
«Porventura, hei-de-me comprazer com a morte do pecador - oráculo do Senhor - e não com o facto de ele se converter e viver?»
(Ez 18, 23).


Deus quis o Inferno?

O Inferno existe, porque existe o pecado!
O pecado é obra do homem e do Demónio; o Inferno é o fruto do pecado.
Deus não quer o Inferno, como nós não queremos as prisões, mas assim como estas devem existir, pelo facto dos homens serem livres e de poderem abusar dessa liberdade; da mesma forma Deus teve de criar o Inferno, para garantir a ordem e a justiça.
Caso contrário, Deus não seria Justíssimo, e se Deus não fosse Justo, seria injusto, e como tal não seria verdadeiro Deus, o que não faz sentido nenhum!
Existe um abismo infinito, em todos os aspectos, entre a criatura e o Criador.
Deus criou o Inferno para castigar o pecado.


Porquê o Inferno é tão terrível?

A Justiça perfeita exige que exista uma proporção entre a magnitude do crime e a magnitude do castigo.
Sendo Deus de Sabedoria, Majestade e Santidade infinitas, e sendo o pecado mortal uma ofensa voluntária contra Deus, encerra em si mesmo uma gravidade e malícia infinitas; logo, o pecador mereceria um castigo infinito.

Como a criatura é finita, e não suportaria tal castigo, proporcional à gravidade da sua culpa, ele, em lugar de ser infinito em intensidade, por permissão divina, será infinito na sua duração.
Além disso, se Deus fizesse um Inferno "light" ou suave, como se diz agora, o pecador seria induzido a pecar indirectamente, pois seria levado a não temer o Senhor, nem os Seus Juízos, já que a punição justa reduzir-se-ia apenas a um ligeiro castigo.

E nesse caso, o próprio Deus seria, ainda que de forma indirecta, como que agente do pecado.
E deste modo, como é que Deus poderia castigar o pecado que ele próprio "induzira"?
Deus, assim, já não seria Justo, Justíssimo, e como tal não seria Deus, pois não pode haver, de modo nenhum, Misericórdia sem Justiça Divina, ao contrário dos que muitos infelizmente pensam ou desejam.


O Inferno é mesmo eterno?

Sim, é eterno, como eternas e perfeitas são a Justiça e a Misericórdia Divinas.
Deus não pode perdoar a quem não quer ser perdoado, o que, a não ser assim, seria uma arbitrariedade e uma tirania.
E como o pecador não quis aceitar o perdão de Deus, e dessa forma ultrajou a Misericórdia Divina, recusando-a deliberadamente, o Senhor deverá exercer a Sua rigorosa Justiça.

Ora, Justiça é dar ou tirar a alguém aquilo que merece ou não por direito.
Como o pecador ofendeu a Deus, o Senhor, pela Sua perfeita Justiça, retira ao pecador tudo aquilo que lhe pertence, ficando o pecador apenas com aquilo que é seu por direito, isto é, com o seu pecado.
Como o fruto do pecado mortal, por ser duma gravidade extrema, é o Inferno, tendo presente a infinita dignidade do Ofendido, o pecador merecerá um Inferno eterno.

Além disso, faria algum sentido que, depois de ser condenado, o Demónio, como sendo a personificação da soberba e de todo o mal, dissesse: "Condenaste-me a um milhão de milênios no Inferno, mas quando eu sair, ajustaremos contas".
Poderia uma Justiça assim ficar satisfeita? Nem a justiça humana, quanto mais a Justiça Divina.
Além de que, se as penas do Inferno não fossem perpétuas, a felicidade dos eleitos, por analogia, também não seria eterna, e estes, ao saberem que o Céu não era eterno, não teriam a felicidade perfeita, e logo o Céu deixaria de ser Céu, o que não faz nenhum sentido, absolutamente.


Mas parece não existir proporção alguma
entre 50 ou 60 anos de pecado
e uma eternidade no Inferno.

Quando um assassino mata alguém, demorando apenas 5 minutos, isso não significa que só mereça ser castigado por 5 minutos, por mais grave que seja a pena.
Assim como um pedófilo que demorasse uma hora a violar uma criança não mereceria uma punição de apenas uma hora.
A justiça humana diz que não, pois isso repugna à inteligência humana.

Então, o castigo é dado, não em função do tempo que demorou a ser executado o crime, mas em atenção à sua gravidade intrínseca.
Como um crime (pecado mortal) cometido contra Deus, é de gravidade infinita, merece uma condenação proporcional à magnitude do crime cometido.


A finalidade dum castigo não é também
a recuperação daquele que faz o mal?

Existem duas espécies de castigo: Uma para corrigir, e outra para satisfazer a Justiça.
Para corrigir, serve-se Deus das tribulações desta vida: «Meu filho, não desprezes a disciplina de Javé, nem te canses com a Sua exortação; porque Javé repreende os que Ele ama, como um pai ao filho preferido» (Pv 3, 11-12).
Porém, se mesmo assim o pecador faz-se surdo ao apelos divinos, e despreza o seu Criador e as Sua Leis, implícita ou explicitamente, a Justiça Divina exige que o mal efetuado seja satisfeito.

Se o pecador não quis reparar o seu pecado neste mundo de provação, enquanto podia e devia, então deve satisfazê-lo na Eternidade.
Se Deus, por Amor e Justiça, ameaça o homem com as penas do Inferno, não o faz em vão, e por isso Ele deve levar a cabo a Sua ameaça, se o homem não observa a Sua Lei e continua a pecar.
Deus não é "só" infinitamente Bom e Santo. Ele é também infinitamente Justo e Sábio.
«O Senhor daquele servo virá, em dia imprevisto e hora ignorada. Ele parti-lo-á ao meio e impor-lhe-á a sorte dos hipócritas. Aí, haverá choro e ranger de dentes» (Mt 24, 50).


A maioria dos homens
só peca temporariamente,
esperando arrepender-se depois.

Quem morre em pecado mortal manifesta que não se arrependeu.
No entanto, essa suposta esperança num arrependimento futuro é uma ilusão vã e imoral.
Ilusão vã, porque, sem a Graça de Deus, o pecador não pode sair do seu pecado; isto é, sem a graça do arrependimento, que Deus não é obrigado a dar a ninguém, e que até pode negá-la, em face de tanta ingratidão do pecador.

O que se lança a um poço, dele não pode sair sem alguém que o ajude, resignando-se a permanecer nele eternamente se alguém de cima não lhe estender uma corda, corda essa que ninguém está obrigado a estender-lhe, em função da temeridade ou impossibilidade.
Ilusão imoral, porque se apoia precisamente apenas na Misericórdia de Deus, para assim poder ofendê-Lo mais facilmente, sem receio de castigo.


Se Deus é infinitamente Bom e Pai
de todos os homens, como pode então
condenar alguém a penas eternas?

Deus é infinitamente Bom, mas também é infinitamente Justo (simultânea e harmoniosamente), sendo a Sua Justiça imensamente séria e rigorosa.
A Justiça Divina assinalou um prazo máximo para o exercício incondicional e total da Sua Misericórdia: a hora da morte (passagem para e Eternidade).
Sendo que a infinita Seriedade e Perfeição de Deus impede-O de voltar atrás, oferecendo ao pecador uma nova oportunidade de salvação, depois deste ter injuriado ou menosprezado a Misericórdia Divina.

Se Deus voltasse atrás na sua decisão, estava a autorizar os pecadores a injuriá-Lo indefinidamente.
Se Deus perdoasse ilimitadamente ou em todas as circunstâncias, como sem bastante arrependimento e para além da morte, estava a induzir o pecador a pecar e a rir-se d'Ele, no tempo e na Eternidade, e então era um Deus pouco sério e nada justo; ou seja, não era verdadeiramente Deus.

Além disso, não é rigorosamente verdade que todos somos filhos de Deus:
Todos somos criaturas de Deus, mas não filhos.
A tal respeito, Jesus é bem claro, ao dizer:
«Se Deus fosse vosso Pai, vós Me amaríeis, porque saí de Deus e d'Ele venho... Vós sois do Diabo, vosso pai, pois quereis realizar os desejos do Diabo...
Quem é [filho] de Deus, ouve a Palavra de Deus; se não a ouvis, é porque não sois [filhos] de Deus»
(Jo 8, 42.44.47).
De facto, só é verdadeiramente filho de Deus, irmão de Jesus Cristo e templo vivo do Espírito Santo, quem é baptizado e vive na Graça de Deus.

E diz mais S. João: «Aquele que comete pecado é do Diabo, porque o Diabo é pecador desde o princípio. Por isso, é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo...
Nisto se revelam os filhos de Deus e os filhos do Diabo: Todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão»
(1 Jo 3, 8.10)

Então, existem os filhos de Deus e os filhos do Diabo.
Quem comete pecado mortal e nele morre, renuncia voluntariamente à Paternidade Divina, mormente sabendo que fere a Deus infinitamente - ver Deus Vivo e Crucificado, no meio de tormentos inenarráveis! -, e por isso mesmo não pode se considerado Seu filho.
E não é filho porque não o quis, voluntariamente, sendo para sempre filho do Diabo.
Só é realmente filho de Deus quem vive na Graça de Deus, ou pelo menos, quem se esforça, tanto quanto possível, por cumprir todos os Mandamentos de Deus, invocando-O e respeitando-O como Pai.


Por que é que Deus,
sendo infinitamente Bom
e prevendo que uma alma iria
para o Inferno, mesmo assim a criou?

Consideremos, pois, que Deus não tinha criado os "maus", mas só os "bons"...
Estes, "os bons", não poderiam ser livres, pois não teriam a possibilidade de escolha, tendo assim de ser "bons", quer quisessem ou não...
Ora, isso significaria que Deus era um tirano, como se tivesse criado homens-robôs, desprovidos de consciência e de livre-arbítrio.

Aonde pararia, então, a dignidade e a responsabilidade humana de, paradoxalmente, sermos criados... "à imagem e semelhança de Deus", mas não sermos livres?
Qual seria, afinal, a Glória de Deus, ao ser servido por seres desprovidos de vontade e liberdade?

Ao argumentarmos assim, estamos a colocar o homem ao nível do animal irracional, o que repugna à inteligência humana e divina.
Além de que, se Deus, levado apenas ou supostamente pela Sua infinita Misericórdia, não criasse senão aqueles que iriam salvar-se, mesmo que estes fossem criados com alguma liberdade, aconteceria que tais seres humanos podiam burlar a Deus, pecando incessantemente contra cada um dos Mandamentos Divinos.

Nem sequer seria necessário arrependerem-se dos seus pecados, já que Deus teria forçosamente que perdoar-lhes, mais tarde ou mais cedo.
Pelo que, depois de terem sofrido, provavelmente, uma determinada pena reparadora no Purgatório, entrariam finalmente no Céu, sem qualquer arrependimento, nem sequer um simples pedido perdão a Deus!

Quem não vê nisto uma espantosa aberração ou monstruosidade!
Deus ficaria escravo do pecador, pois estaria à mercê dos seus caprichos...
Que triste Deus seria o nosso, um Deus escravo da sua criatura!
Numa só palavra, um "deus" hipoteticamente a existir desse modo, não seria verdadeiro Deus!




Então, Deus não deveria
ter criado os homens e o mundo.

Mas aí ou desse modo, seria Deus que não era livre...
Visto que, só para evitar que algumas almas cometessem alguns crimes e fossem parar ao Inferno, deixaria de criar aqueles que O serviriam e amariam por toda a Eternidade, voluntariamente e por sua livre escolha.
E assim o mal triunfava sobre o Bem; ou seja, para evitar o mal, aniquilava-se o Bem.

Aonde estaria, então, Liberdade Divina?
Seria um Deus escravo do mal, que em atenção a este não poderia criar o bem.
Este argumento, também ele, repugna à nossa inteligência.


Nesse caso, Deus deveria aniquilar
o pecador, fazendo-o voltar ao nada,
de onde foi criado.

Com este argumento, colocaremos Deus ainda abaixo de Hitler.
Este matava os corpos, mas Deus, por essa forma de pensar, mataria os corpos e as almas, ao aniquilar o pecador.
O aniquilamento integral pressupõe uma rectificação da Obra de Deus, por parte do mesmo Deus, enquanto é a criatura culpável, e não o Criador, quem deve rectificar.
Além de que Deus seria injusto ao dar o mesmo castigo a todos os condenados que pecaram em graus muitos diferentes de maldade e malícia.

Acresce que o aniquilamento igualaria todos os condenados num mesmo e idêntico castigo para todos.
Ora, a Justiça Divina exige que não se castigue por igual aos que fizeram pecados de graus desiguais e variadíssimos.

Paralelamente, o aniquilamento impossibilitaria a Glória de Deus, através da Sua Justiça perante toda a criação.
Deus nunca poderia receber Glória pelo simples facto de assim parecer mais Justo, já que a Justiça com o aniquilamento não poderia ser exercida.
O nosso Deus seria um Deus finito e limitado, e como tal não seria verdadeiro Deus.

O problema deste argumento é que desconhecemos na totalidade a Natureza Divina.
Deus é um Ser Infinito em todos os Seus Atributos e Perfeições.
Se Ele é Infinito e Santíssimo em tudo, também o é, igualmente e sem diferença alguma, na sua Bondade e Justiça (e não apenas ou principalmente na sua imensa Misericórdia).

Efectivamente, quando Deus criou o homem, criou-o à Sua imagem e semelhança.
«Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança...» (Gn 1, 26).
Como Deus é Eterno, Ele mesmo, ao criar o homem, não o criou para o tempo, mas para a Eternidade, pois criou-o à Sua imagem e semelhança; isto é, criou-o com uma alma imortal; criou-o no tempo, mas para toda a Eternidade.

«Assim mesmo raciocinam os ímpios (os 'sem Deus'), mas enganam-se, porque a sua maldade cega-os.
Eles ignoram os segredos de Deus, não esperam o prémio pela santidade, não crêem na recompensa das vidas puras.
Deus criou o homem para a incorruptibilidade e fê-lo à imagem da Sua própria Natureza Divina; tendo sido por inveja do Diabo que a morte (eterna) entrou no mundo, experimentando-a quantos são do seu partido»
(Sb 2, 21-24).

Deus não se contradiz a Si mesmo: Depois de dar, Ele jamais volta atrás.
«Porque os dons e a vocação de Deus são irreversíveis» (Rom 11, 29).
«A Glória de Israel não mente nem se arrepende, porque ela não é pessoa para se arrepender» (1 Sm 15, 29).

Deus jamais poderia chamar à existência um ser feito à Sua própria imagem e semelhança, em ordem à incorruptibilidade, e logo de seguida aniquilar o pecador(voltando a reduzi-lo ao nada), só porque as suas opções livres, baseadas na Liberdade Divina, não foram de acordo com a Sua Vontade.
Pois então Ele não seria um Deus infinitamente Bom e Justo, mas como que um déspota, na medida em que criava e destruía por mero capricho pessoal.

Se assim fosse, o nosso Deus seria imperfeito, e como tal não seria verdadeiro Deus.
A morte que refere a Sagrada Escritura, quando fala dos ímpios, ou "sem Deus", não é o aniquilamento integral, mas a morte espiritual, mais conhecida como "morte eterna", ou Inferno, na linguagem cristã.


Paralelamente, se fosse verdade o 'aniquilamento' dos ímpios (o seu regresso ao 'nada'), a bíblia estaria a mentir, pois afirma claramente:
«O fumo do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos» (Ap 14, 11).
«O Diabo, que os tinha enganado, foi precipitado no lago de fogo e enxofre, onde também estão a besta e o falso profeta. Aí, serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos» (Ap 20, 10)

Sendo atormentados pelos séculos dos séculos, é sinal e prova que não foram aniquilados.
Se fossem aniquilados, como defendem alguns hereges e apóstatas, então a Palavra de Deus é mentirosa, pois afirma precisamente o contrário.
O Senhor Jesus diz:
«Estes irão para o tormento eterno, mas os justos irão para a Vida eterna» (Mt 25, 46).
Como poderia o seu tormento ser eterno, se tivessem sido aniquilados por Deus?

Além disso, por que é que Deus não destruiu também Satanás e todos os demónios (como eis-anjos rebeldes que foram e que são)?
Em vez de destruí-los, pura e simplesmente, criou para eles mesmos o Inferno...
«Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos» (Mt 25, 41).
O homem foi criado livre, à imagem e semelhança de Deus, e como tal foi criado para o mérito ou desmérito.
Deus manifesta mais o seu Poder e a sua Glória na conservação dos seres humanos que criou, do que na sua total destruição.

Só acredita na aniquilação integral do pecador quem está fora da Verdade e a caminho do Inferno, pois um dos pecados contra o Espírito Santo, que não tem perdão neste mundo e na eternidade, é
«negar a verdade conhecida como tal».
Foi o pecado dos Fariseus, pois conheciam a verdade, mas não a queriam aceitá-la como tal.

«Todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo isso lhes será perdoado [em caso de arrependimentlo]; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca mais terá perdão, pois é réu de castigo eterno» (Mc 3, 28-29).
«A todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, poder-se-á perdoar; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, jamais se perdoará» (Lc 12, 10).

«Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se for dita contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro» (Mt 12, 32).
Reparemos na expressão «nem no vindouro», o que significa que nunca, nem no mundo que há-de vir, tais infelizes terão perdão.
E para não terem perdão, eles terão de existir, pois não se perdoa algo a quem não existe.

O grande mal de muitos homens é a sua soberba descomunal, julgam-se melhores do que Deus ou superiores a Ele!
E querem impor ao Criador o que consideram ser ou não ser justo, segundo a sua tacanha e arrogante inteligência.
Se Deus nos revelou que o Inferno existe e nos colocou de sobreaviso em relação a ele, mais vale escutá-Lo e respeitá-Lo, humilde e fielmente, do que construir teorias no ar, e deste modo acabarmos por cair nesse mesmo abismo eterno, por nos recusarmos, rebelde e estultamente, a acreditar no óbvio.


É impressionante o relato de Santa Faustina, pois constatou que a maior parte dos que estavam no Inferno não acreditavam nele.
E é lógico, pois como não acreditavam, não procuraram evitá-lo, ou quando acreditaram já era tarde demais.

O Inferno é um tremendo Mistério!
Mas um mistério é algo que existe, mas que não pode caber na nossa inteligência limitada, ou que não é explicável por esta.
O facto de eu não saber explicar o que é o Amor, não significa que ele não exista. Sinto-o, mas não sei explicá-lo. E no entanto, o Amor existe.
O Amor é um grande mistério, embora seja profundamente real.

O Inferno, segundo a Revelação Divina, é algo absolutamente real, mas como desconhecemos os termos "infinito", "natureza divina", "fealdade do pecado", "suplício eterno", etc., não conseguimos senão dar dele uma pálida imagem, o que mesmo assim ajuda a perceber o porquê da sua existência.

O grande mistério do Inferno é o facto de, apesar de Deus desejar loucamente a nossa salvação - contemplemos Jesus Crucificado -, nós sermos capazes de nos condenarmos.
Deus criou-nos livres e quer que nos comportemos como tais.
Negar a possibilidade de alguém se condenar, é negar a liberdade do homem; é anular o próprio homem.
Se o homem não fosse livre para dizer "não" a Deus, também não o seria para dizer "sim".

Logicamente, ainda que insensata e tragicamente, a possibilidade de optar por Deus inclui também possibilidade de rejeitá-Lo.
Afirmar e acreditar que existe o Inferno é levar a sério, responsavelmente, a liberdade humana.
Deus oferece generosamente a todos a Salvação eterna, mas não a impõe a ninguém.

O Inferno equivale ao respeito de Deus pela última vontade do homem.
Se o pecador elege livremente o pecado, sem qualquer arrependendimento, Deus respeita essa sua vontade, por mais negativa e nociva que seja, embora naturalmente com imenso desgosto.
E assim como com a morte termina a liberdade humana, assim mesmo o pecador ficará por toda a eternidade.


Como devemos proceder
para evitarmos o Inferno?

Jesus disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por Mim» (Jo 14, 6).
«Pilatos perguntou-Lhe: "Então, tu és rei?"
Respondeu-lhe Jesus: "Tu o dizes: Eu sou Rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Quem é da verdade escuta a Minha voz" »
(Jo 18, 37).

Jesus, o Filho de Deus Vivo, foi claro como a água, ao afirmar que era a Verdade e o Caminho.
Ele próprio acrescentou: «Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque se não crerdes que "eu sou", morrereis nos vossos pecados» (Jo 8, 24).
«Se alguém guardar a Minha palavra, jamais provará a morte» (Jo 8, 52).
«Eu sou a Ressurreição. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em Mim, jamais morrerá. Crês nisso?» (Jo 11, 25-16).

S. Paulo afirma: «Ora, sem a Fé é impossível ser-Lhe agradável. Pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe e que recompensa os que O procuram» (Hb 11, 6).


O que é necessário fazer
para não ir para o Inferno?

Sendo Jesus a Verdade, Ele não mente.
Jesus disse: «O que pedirdes em Meu nome, Eu vo-lo darei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes algo em Meu nome, Eu vo-lo darei» (Jo 14, 13-14)
«Em verdade, em verdade, vos digo: o que pedirdes ao Pai, ele vos dará em Meu nome. Até agora, nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa» (Jo 16, 23-24).

«Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha, e ao que bate se lhe abrirá.
Quem, dentre vós, dará uma pedra a seu filho, se ele lhe pedir pão? Ou lhe dará uma cobra, se ele lhe pedir peixe? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está no Céu, dará coisas boas aos que lhas pedirem»
(Mt 7, 7-10).

«E tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o recebereis» (Mt 21, 22)
«A fim de que tudo o que pedirdes ao Pai, em Meu nome, Ele vos dê» (Jo 15, 16)
Então, para não irmos para o Inferno, devemos pedir ao Pai, em nome de Jesus, que salve eternamente a nossa alma.
É tão simples como isso; isto é, devemos rezar, sempre.
Dizia S. João Crisóstomo que «orar é falar com Deus» (Orat I de. orat. dominic: MG 44, 1125).

Então devemos, nas nossas «conversas com Deus», pedir a graça da -Salvação eterna da nossa alma.
Pedir e pedir incessantemente, eis o que Deus pede ao homem adulto que faça, se quer salvar-se.
Dizia Santo Afonso Maria de Ligório, que todos os condenados se perderam porque não rezaram.
Se tivessem rezado, ter-se-iam salvo. E acrescentava:

«Quem reza salva-se, quem não reza perde-se».
E por que rezar? Porque a oração pressupõe humildade. Só reza quem é humilde e se sente criatura de Deus.
O pecador não quer rezar, porque isso seria reconhecer-se criatura de Deus, e isso ele não suporta.
Por isso, não reza e por isso se perde.
Já dizia Santa Teresa d'Ávila, «Quem pede, alcança, quem não pede, não alcança».


Não resisto a citar pertinentemente Santo Afonso Maria de Ligório, no seu tratado da "Preparação para a Morte":
«Coloquemos, portanto, fim a este importante capítulo, resumindo todo o escrito e deixando bem clara esta afirmação: O que reza, salva-se certamente; e o que não reza, certamente condena-se».

Se deixarmos de lado as crianças,
«todos os Bem-aventurados se salvaram porque rezaram, e os condenados se condenaram porque não rezaram.
E nenhuma outra coisa lhes produzirá no Inferno mais espantoso desespero do que pensarem que lhes tinha sido coisa fácil a salvação, pois a teriam conseguido pedindo a Deus as Suas graças, e que serão eternamente desgraçados porque passou o tempo da oração»
(C
f. Preparação para a Morte, cap XXX, 2)

Muitos pedem, mas não pedem o essencial.
Pedem dinheiro, riquezas, saúde, amor, felicidade, solução para os problemas, mas não pedem o essencial: a salvação eterna da sua alma.
E como não pedem o Deus das coisas criadas, mas as coisas criadas de Deus, não terão umas nem as outras.
«Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua Justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas» (Mt 6, 33); pois «onde está o teu tesouro aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21).

Pedir a graça da Salvação eterna, pedir a graça de ser santo e de ir para o Céu. E rezar incessantemente, enquanto durar a nossa vida sobre a terra.
Eis o que devemos fazer para não irmos para o Inferno, e para irmos, sim, para o Céu.
«E quando orares... entra no teu quarto e, fechando porta, ora ao teu Pai, que está lá, em segredo; e o teu Pai, que vê em segredo, recompensar-te-á» (Mt 6, 5-6).

«Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele.
Estreita, porém, é a porta e apertado é o caminho que conduz à Vida, e poucos são os que o encontram»
(Mt 7, 13-14).






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Fonte-guia:
Últimas e Derradeiras Graças


Adaptação:
Nova Evangelização
Católica